Brasil

Guedes aceita perder Secretaria do Trabalho, mas atua para manter influência sobre a pasta

Agência O GloboPublicado em 22/07/2021 às 08:29Atualizado há 27/07/2021 às 01:12
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Paulo Guedes (Divulgação)

Atendendo a um pedido do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, aceitou perder a Secretaria de Trabalho e Previdência na reforma ministerial anunciada para o início da próxima semana, mas tenta manter nomes de sua confiança na pasta que será criada e, assim, preservar suas políticas para o setor.

Antes de ceder um naco de seu ministério, Guedes pediu para Bolsonaro manter seu atual secretário de Trabalho e Previdência, Bruno Bianco, como secretário-executivo da nova pasta. Outro nome oferecido foi o do secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo.

O objetivo de Guedes é manter as suas políticas para trabalho, como o programa de geração de emprego para jovens que está sendo construído. Ele minimiza a perda dessa parte do ministério, pois a reforma da Previdência já foi feita.

Guedes participou das articulações para colocar um expoente do Centrão, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), no comando da Casa Civil. Nos bastidores, ele avalia ser necessário melhorar as relações do governo com o Senado e garantir um ambiente favorável à aprovação das reformas.

Guedes e outros ministros com trânsito no Congresso vinham recebendo recados de que a relação com os parlamentares se desgastou nas últimas semanas, pondo em risco a pauta que o Ministério da Economia pretende aprovar neste ano — como a reforma tributária, a reforma administrativa e as privatizações, caso dos Correios.

O rearranjo no governo preserva, por ora, outras duas áreas importantes do Ministério da Economia cobiçadas por partidos do Centrão: Planejamento e Indústria.

No redesenho da Esplanada dos Ministérios, Onyx Lorenzoni, atualmente na Secretaria-Geral da Presidência, assumirá o novo Ministério do Trabalho e Previdência. Para seu lugar na Secretaria-Geral irá Luiz Eduardo Ramos, que hoje comanda a Casa Civil. Superministério

Quando assumiu o Ministério da Economia, Guedes abarcou Fazenda, Planejamento, Indústria, Trabalho e Previdência. Desde que o Centrão se aproximou do governo, são constantes os pedidos a Bolsonaro para que as áreas da Indústria e do Planejamento sejam desmembradas e comandadas por partidos aliados. Guedes, porém, não abre mão dessas duas secretarias.

No caso da Indústria, o governo está tocando uma agenda de abertura comercial, considerada importante para a retomada do crescimento do país. A pessoas próximas, Guedes repete que a recriação desse ministério vai atrapalhar o desenvolvimento econômico. O ministro acredita que o antigo Ministério da Indústria era uma "casa de lobby" e travava o andamento de pautas importantes.

Já o Planejamento, que tem poderes sobre o Orçamento, sempre foi alvo de conflitos com a Fazenda e com o Congresso. Aliados da base do governo criticam o fato de Guedes concentrar em seu ministério decisões estratégicas como investimentos públicos e medidas fiscais.

Por isso, perder Trabalho e Previdência não foi considerado um grande prejuízo para Guedes, sobretudo diante da perspectiva de melhorar as relações com o Congresso Nacional.

O ministro chegou a aconselhar Bolsonaro anteriormente a colocar um político na Casa Civil para ajudar a deslanchar no Congresso os projetos econômicos. Até sugeriu os nomes de Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, e de Gilberto Kassab, presidente do PSD. Bolsonaro respondeu que seria mais estratégico colocar um general no cargo. Mas mudou de ideia e acabou convidando Ciro Nogueira para assumir a pasta.

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