Senador da CPI da Covid denuncia Bolsonaro por 'tráfico de influência' após favorecer empresas de cloroquina

Agência O Globo | @jornalovale

O senador da oposição Rogério Carvalho (PT-SE) anunciou em sua conta no Twitter que irá denunciar Jair Bolsonaro (sem partido) à Procuradoria-Geral da República depois da revelação feita pelo GLOBO sobre o pedido do presidente ao premier da Índia para liberação de insumos de cloroquina a laboratórios de empresários aliados. Segundo o parlamentar, o material divulgado pelo jornal é prova grave do "crime contra a vida cometido por Bolsonaro".

"Vamos denunciar Bolsonaro na PGR. O Globo apresenta provas graves de que ele agiu diretamente para favorecer empresas, enganar o Brasil com a cloroquina e ignorar a vacina da Pfizer. Bolsonaro precisa responder pelo tráfico de influência e por expor os brasileiros ao risco de morte", escreveu o senador na rede social.

Na denúncia protocolada na PGR na tarde desta quinta-feira, o senador afirma ter havido "tráfico de influência em transação comercial internacional":

"Temos provas da ação criminosa do presidente da República que, valendo-se de seu cargo, influiu pessoalmente em favor das empresas APSEN e EMS perante governo estrangeiro, a fim de manter o apoio dessas duas empresas, na figura dos senhores Carlos Sánchez e Renato Spallicci."

Um telegrama secreto do Ministério das Relações Exteriores em posse da CPI da Covid mostra que o presidente atuou diretamente em favor de duas empresas privadas solicitando ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em abril do ano passado que acelerasse a exportação de insumos para a fabricação de hidroxicloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz contra a Covid-19.

O material contém a transcrição do telefonema feito por Bolsonaro no qual ele cita as empresas EMS e Apsen ao pedir que a Índia liberasse a exportação dos produtos.

"O presidente atuou institucionalmente pela cloroquina em abril do ano passado. Em maio, a Pfizer foi ignorada. Pior, foi lobista de duas empresas que o financiam. A CPI apresenta uma prova concreta ao Brasil". completou Rogério Carvalho no Twitter.

O presidente da Apsen, Renato Spallicci, é um apoiador de Bolsonaro e ontem foi convocado a prestar depoimento na CPI da Covid. O CEO da EMS, Carlos Sanchez, já foi recebido por Bolsonaro para reuniões no Palácio do Planalto e participou recentemente de jantar com empresários realizado em São Paulo no qual o presidente foi ovacionado.

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