Bolsonaro diz que Silva e Luna 'vai dar uma arrumada' na Petrobras

Agência O Globo | @jornalovale

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira que o seu indicado para a presidência da Petrobras, o general da reserva Joaquim Silva e Luna, "vai dar uma arrumada" na empresa, porque teria "muita coisa errada". Bolsonaro não especificou a que se referia.

A indicação de Silva e Luna precisa ser confirmada pelo Conselho de Administração da estatal, que se reúne nesta terça. Bolsonaro anunciou na sexta-feira que substituiria o atual presidente, o economista Roberto Castello Branco, pelo general da reserva.

Em conversa com apoiadores nesta terça, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que não está interferindo na Petrobras porque não determinou uma redução nos preços dos combustíveis — os constantes reajustes foram a principal reclamação do presidente sobre a gestão de Castello Branco.

— O que eu interferi na Petrobras, alguém responde aí? O que eu falei para baixar o preço? Nada, zero. O que essa imprensa está fazendo? — disse o presidente, acrescentando em seguida: — Tem muita coisa errada, o novo presidente vai dar uma arrumada lá.

Em outro momento, Bolsonaro afirmou que a estatal vai "melhorar" e que ele poderá fazer outras mudanças:

— Vocês vão ver a Petrobras como vai melhorar. Assim como, se tiver que fazer qualquer mudança, nós faremos.

Também nesta terça-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que a queda nas ações — de 20%, na segunda-feira — da Petrobras seria recuperável: 

— Nos últimos 26 anos a Petrobras tomou oito tombos, e volta. Easy go, easy comes (fácil vai, fácil vem). É isso o que vai acontecer. Basta ficar muito claro que a troca do presidente não significa troca na política de preços que é praticada.

A declaração foi feita antes da abertura do mercado. Depois do início da operação da Bolsa de Valores, as ações da Petrobras têm forte alta na manhã desta terça.

Veja temas que serão debatidos no Conselho

1. Novo comando da empresa

Originalmente, a pauta da reunião de hoje contava com a recondução de Roberto Castello Branco ao cargo de presidente da empresa. Mas o tema foi retirado da pauta pelo presidente do Conselho, Eduardo Bacellar.

No lugar, entrou o pedido para que seja convocada uma Assembleia Geral Extraordinária com o objetivo de promover a substituição e eleição de membro do Conselho de Administração, e indicando Joaquim Silva e Luna no lugar de Roberto Castello Branco.

Luna é militar e, atualmente, ocupa o cargo de diretor-geral da parte brasileira da usina hidrelétrica de Itaipu.

O tema promete forte discussão, já que há o risco de os membros serem responsabilizados por acionistas na Justiça caso aprovem a realização da assembleia.

Uma fonte lembra ainda que o nome indicado pelo governo para assumir a empresa, o general Joaquim Silva e Luna, precisa ter o aval do Comitê de pessoas da estatal, processo tido como "demorado" por uma das fontes.

Uma dessas fontes observou que para assumir uma estatal é preciso ter dez anos de liderança  e quatro anos de exercício em cargo diretivo. Itaipu não leva em conta essas regras, pois é considerada uma empresa binacional.

2. Política de preços

Embora o assunto não esteja na pauta, o tema será debatido. A expectativa é que a diretoria da estatal indique a intenção de  alterar o período de 12 meses como prazo para alinhar os preços do mercado internacional com os do Brasil.

A ideia é que esse período seja reduzido para algo inferior a três meses, como forma de preservar o caixa da companhia e, assim, tentar evitar a intervenção do governo.

A alta no preço dos combustíveis foi o que levou Bolsonaro a intervir na Petrobras, já que é crescente o descontentamento dos caminhoneiros como o preço do diesel. A categoria é uma das bases políticas do presidente.

3. Venda de ativos

Os conselheiros vão debater algumas operações de vendas da estatal. Hoje, a companhia tem cerca de 50 negócios em reta final de venda, como refinarias.  A meta da empresa é se desfazer de US$ 35 bilhões em ativos entre 2021 e 2025.

Os planos de venda de ativos da Petrobras não estão entre os alvos de críticas do presidente Jair Bolsonaro. Mas, na avaliação de analistas, conselheiros e fontes ligadas à companhia, a indicação do general Joaquim Silva e Luna deve frear tratativas em curso e atrasar negociações.

Além disso, a sombra da interferência política na petrolífera tende a desvalorizar ainda mais as ações da empresa, o que pode levar potenciais compradores a pressionarem por preços mais baixos dos ativos, em especial as refinarias.

4. Resultados financeiros

A Petrobras vai divulgar o resultado financeiro em 2020. Mas o tema será apreciado apenas na quarta-feira. 

A estimativa do Ineep  é que, considerando os resultados operacionais de 2020 e as baixas contábeis realizadas no primeiro trimestre de R$ 65,3 bilhões, a estatal registre prejuízo  anual de R$ 49 bilhões.

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