OMS: iniciativa para acelerar vacina contra Covid-19 tem adesão de 156 países, mas EUA e China ficam de fora

Agência O Globo |

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta segunda-feira que 156 países aderiram oficialmente à iniciativa Covax, aliança internacional coordenada pela entidade que visa acelerar o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 e universalizar o acesso a um eventual imunizante eficaz contra o novo coronavírus. Em uma coletiva de imprensa na sede da organização, em Genebra, na Suíça, integrantes celebraram a abrangência do grupo. Na semana passada, o Brasil pediu mais tempo para avaliar sua entrada no pacto.

A meta da Covax é entregar 2 bilhões de doses de uma vacina contra a Covid-19 até o fim de 2021. Indagado por uma jornalista se a OMS considerou a adesão suficiente, o assessor sênior da entidade, Bruce Aylward, enfatizou que a aliança representa quase 70% da população mundial e disse que outros 38 países desenvolvidos manifestaram publicamente interesse em ingressar na Covax, mas não o fizeram por trâmites burocráticos ou barreiras no Parlamento.

"Quase 80% dos países e economias estão trabalhando com a Covax de alguma forma. É uma grande proporção. Esse grupo representa quase 70% da população mundial", afirmou Aylward.

No entanto, coube ao diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a cobrança por maior colaboração financeira e política com a Covax

"A Covax é o mecanismo que garantirá uma global coalizão. Uma vacina ajudará a controlar a pandemia, a salvar vidas e a garantir a verdadeira retomada econômica", disse Adhanom. "Isso (a cooperação financeira) não é caridade, é uma ação que representa o melhor interesse para todos os países. Nós precisamos de um fortalecimento expressivo do compromisso político e financeiro dos países. Não é apenas a coisa certa a ser feita, é a opção mais inteligente a ser tomada".   

Na última quinta-feira, o Brasil anunciou que quer ter "mais informações sobre as condições para a aprovação regulatória, instrumento jurídico aplicável, vacinas em desenvolvimento, suas características de armazenamento e transporte logístico". "Essas definições são especialmente importantes em um país como o Brasil, de dimensões continentais", disse um comunicado da Secretaria de Comunicação do governo.

O país não aparece na lista de países signatários da iniciativa divulgada nesta segunda-feira, mas figura entre os que manifestaram o interesse de integrar a Covax. A despeito da ênfase dos integrantes da OMS à abrangência expressiva da aliança em relação à população mundial, a ausência da China e dos Estados Unidos, potências globais que disputam uma corrida global por uma vacina, chama atenção.

A Rússia, que reivindica seu imunizante Sputnik V como o primeiro eficaz e seguro do mundo, o que é encarado com ceticismo por boa parte da comunidade internacional, também não assinou o acordo nem manifestou interesse em integrá-lo.

ONU completa 75 anos

Tedros Adhanom abriu a coletiva de imprensa parabenizando a Organização das Nações Unidas (ONU), da qual a OMS faz parte, pelos 75 anos de sua fundação nesta segunda-feira.

"Talvez nenhuma outra crise tenha demonstrado a importância das Nações Unidas desde a Segunda Guerra Mundial como a pandemia da Covid-19. A OMS tem orgulho de participar da família ONU", disse o diretor-geral.

Adhanom aproveitou a ocasião para reforçar desafios a serem enfrentados no mundo em meio à crise do coronavírus:

"A OMS tem três mensagens-chave: a pandemia deve nos estimular a atingir desenvolvimentos metas de desenvolvimento sustentável, não ser usada como desculpa para não cumpri-las. Precisamos também nos preparar agora para a próxima pandemia e somar esforços para vacinas". 

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