Cloroquina se torna símbolo da falta de ações efetivas de Bolsonaro contra a pandemia

Caíque Toledo | @CaiqueToledo

Classificado por veículos de imprensa internacionais como o ‘pior do mundo’, o combate ao novo coronavírus pelo governo federal pode ser simbolizado pela hidroxocloroquina: sem eficácia comprovada, contrariando a ciência e com efeitos colaterais cada vez mais e mais severos.

Perto de atingir a casa de 100 mil vítimas pela Covid-19, o Brasil sofre sem uma estratégia eficaz do Jair Bolsonaro (sem partido) para combater a doença. Pior: sem ministro da saúde há 80 dias e sem coordenação entre os governos estaduais, vê, dia após dia, os números de casos e mortes subindo ainda mais.

Até esta sexta-feira (31), o país tem cerca de 92 mil óbitos causados pela nova doença, além de 2,6 milhões de casos -- sem contar a subnotificação --, ficando atrás, somente, dos Estados Unidos.

Além de sanitária e econômica, a atual crise que ronda o país, se tornou, como de praxe, também um transtorno político. O presidente Bolsonaro, por exemplo, fez questão de divulgar que era um dos infectados com o vírus, meses depois de uma verdadeira ‘batalha’ que envolveu até o STF (Supremo Tribunal Federal), quando não quis mostrar os resultados de exames anteriores.

Hoje, não só faz questão como se tornou um garoto propaganda da cloroquina: “Tomei um dia, no outro estava bem.”

Enquanto isso, o presidente alegar estar de ‘mãos atadas’, porque o Supremo determinou autonomia aos governos estaduais e municipais para ações contra a pandemia.

No entanto, a própria Suprema Corte afirma que isso não exime o Planalto da responsabilidade de coordenar a guerra à Covid.

Apesar do esclarecimento do STF, Bolsonaro usou esse artifício para criar mais atritos com os estados e municípios, alçados à linha de frente em meio vácuo de liderança do Planalto. Afinal, não há um especialista da área no comando do Ministério da Saúde há mais de 80 dias.

DICOTOMIA.

Enquanto insiste no uso da cloroquina como ferramenta política, o governo aposta em uma falsa dicotomia saúde-economia, agravando os efeitos colaterais causados pela pandemia: quanto mais tarde você conter a doença, mais tarde a economia volta a funcionar.

E, dessa forma, o país já perdeu 1,2 milhão de empregos com carteira assinada, fora os informais, só no primeiro semestre deste ano: é o pior resultado da série histórica divulgada pelo Ministério da Economia, desde 2010.

Apenas na RMVale, a pandemia agravou o que já era grave e foi a principal responsável pelo corte de 27 mil empregos na região no primeiro semestre deste ano, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 23 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.