Alckmin admite que Doria candidato natural, mas diz que pode disputar eleio: 'Me sinto mais pronto'

Indiciado pela operao Lava Jato da Polcia Federal nesta semana, ex-governador de So Paulo e natural do Vale, Geraldo Alckmin diz que pode disputar a eleio presidencial de 2022, mas admite que Doria o candidato natural do PSDB; tucano faz crtica a Bolsonaro: "Muito ruim"

Xandu [email protected] | @jornalovale

Geraldo Alckmin voltou a exercer a medicina, a dar aulas e a estudar, desta vez num curso na USP (Universidade de São Paulo). Também faz doutorado em dores lombares.

Ex-governador de São Paulo e duas vezes candidato à Presidência da República, o médico e político de Pindamonhangaba critica o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela conduta frente à pandemia ("Muito ruim") e pede mais foco e menos crise: "É hora de baixar a temperatura e tentar um grande esforço para combater a pandemia".

Indiciado pela operação Lava Jato da Polícia Federal nesta quinta-feira (16), pela suspeita de lavagem de dinheiro, caixa dois eleitoral e corrupção passiva, por supostas doações da empreiteira Odebrecht nas campanhas presidenciais de 2010 e 2014, Alckmin disse, em entrevista à CNN, que ainda não foi ouvido e que prestará contas. "Embora não tenha sido ouvido, vou prestar contas das minhas campanhas. Todas elas foram rigorosamente dentro da lei".

Em entrevista exclusiva a OVALE, o tucano garantiu que está no páreo para a corrida presidencial de 2022 e que vive uma "paciência cívica". "Não sou favorável à briga política em torno da tragédia". Confira:

Como vê a conduta do governo na pandemia da Covid-19?

Muito ruim. Em 1918, tivemos a crise espanhola, a maior epidemia do século passado. O que dizia o governo na época: é uma gripezinha, exagero da imprensa, sensacionalismo, teoria conspiratória, esconde os dados e dificulta o acesso aos números. Um século depois a história se repete com os mesmos erros. O Venceslau Brás, presidente do Brasil entre 1914 e 1918, foi buscar o médico sanitarista Carlos Chagas e o pôs na linha de frente do combate. Tenho esperança de que o governo federal acorde e vá buscar um Carlos Chagas para achar um rumo adequado. E precisa haver boa articulação com estados e municípios, porque governo federal não tem rede própria e precisa articular.

Dá tempo de melhorar?

Sempre é tempo para corrigir e melhorar. Primeiro caso no Brasil foi em fevereiro. E estamos em julho, não é possível ver lugar que falta leito, UTI, respirador tantos meses depois.

E o negacionismo?

Um vírus novo é sempre preocupante, não tem tratamento e vacina. Temos que estar preparados para o futuro. Foram várias epidemias na última década e temos que estar preparados porque, no mundo globalizado, isso se repete. Tem que fazer pesquisa. O protocolo de tratamento tem melhorado. Está todo mundo correndo para chegar o mais rápido possível à vacina. É importante investir em saúde e ter boa estrutura de saúde pública, gratuita e de qualidade.

Bolsonaro comete crime nessa conduta da pandemia?

Não sou jurista e não entraria por este lado. Tem policrise. A sanitária é muito grave e o governo precisa mudar. As medidas precisam ser tomadas e tem que preparar o país para o futuro, porque que vai ter outra epidemia. Espero que o governo dê um rumo correto. A crise social o governo agiu bem com o auxílio emergencial e foi necessário. A crise econômica o governo deveria ter apresentado, em janeiro de 2019, a proposta de reforma tributária. Além de não ter feito, quer criar a CPMF que é um imposto acumulativo. Do ponto de vista político, a bagunça é completa. São 24 partidos na Câmara e a reforma político é necessária.

É a favor do impeachment?

Não sou favorável à briga política em torno da tragédia.

Acho que é hora de baixar a temperatura e tentar um grande esforço para combater a pandemia. Não tem disputa entre saúde e economia, porque enquanto não resolver a crise sanitária não resolverá a crise econômica. Centrar esforços no combate à pandemia. Nesse momento, o impeachment não é prioridade, seria colocar mais um problema num quadro muito difícil. O Congresso deve investigar, mas não criar mais um problema num quadro já tão difícil.

E a gestão do governador João Doria na pandemia?

Não tenho detalhes das operações do Estado, mas é melhor do que o governo federal, que teve posição negacionista frente à gravidade da epidemia. No começo até poderia ser compreendido, porque até médicos achavam que não era tão grave e não chegaria com tanta força aqui, porque é país tropical. Mas a maior letalidade é na Amazônia. Isso mostra como é importante a assistência médica hospitalar.

Vai ser candidato agora?

Não pretendo ser candidato, estou dando aula em duas universidades e fazendo doutorado. Sou médico especialista em anestesia. Estou fazendo doutorado em tese de dor lombar. Posso ajudar um amigo [Alckmin deve participar da campanha à reeleição do prefeito de São Paulo, Bruno Covas]. O município é o governo mais próximo da população.

E para presidente em 2022?

Fui duas vezes candidato à Presidência e conheço bem o Brasil. Percorri o país inteiro. Candidato à presidente é curso de pós-graduação sobre o país, que é continental. Há vários 'brasis', e às vezes enxergamos o país como se fosse São Paulo, mas não é. Sei que a fila anda. Se pudesse [ser candidato em 2022], me sinto mais preparado, mas não é vontade pessoal. É importante participar da vida política. Não recebo nenhum centavo de governo algum e vivo das aulas e do meu trabalho, mas gosto da atividade política.

Um conselho a Bolsonaro?

Seria presunçoso dar conselho, mas acho que o caminho frente a algo novo, o vírus sem tratamento e ainda vacina, é a humildade. Precisa buscar gente que sabe. É hora de uma paciência cívica.n

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