Em dia de volatilidade, Bolsa volta a cair; dólar sobe frente ao real e vale R$ 5,44

Agência O Globo |

Num dia de muita volatilidade, a Bolsa brasileira fecho no vermelho nesta terça-feira, mas desde a mínima do ano, atingida em março, já recuperou quase 50% de suas perdas.

O dólar encerrou a sessão em alta frente ao real, negociado a R$ 5,439, elevação de 0,25%.

O Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, fechou em queda de 0,71% aos 95.055 pontos. Desde de que atingiu a mínima do ano, no dia 23 de março aos 63.569 pontos, quando os investidores venderam ativos de risco por cnta da disseminação do novo coronavírus, o índice já subiu 49,5% até junho, recuperando quase metade das perdas do ano.

No ano, o Ibovespa ainda acumula perda de 17,8% mas, em junho, se valorizou 8,75%.

Fundos de ações foram os melhores investimentos do mês. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) os fundos de ações da família índice ativo, que tentam superar o desempenho do Ibovespa, tiveram ganhos de 9,7% em junho, até o dia 24, dado mais recente.

Para William Teixeira, especialista em renda variável da Messem Investimentos, o mercado ficou empolgado com a reabertura gradual de algumas economias na Ásia e na Europa.

"A expectativa era ruim, mas vieram notícias melhores, com a reabertura gradual de algumas economias e indicadores econômicos de alguns países, que sinalizam uma recuperação mais rápida das economias", disse Teixeira.

Ele lembra que juros mais baixos no Brasil, em em todo o mundo, além de pacotes bilionários anunciados por bancos centrais dos EUA e da Europa, trouxeram liquidez ao mercado.

"Eu diria que por aqui, o investidor está em compasso de espera. O Ibovespa vai ficar entre 90 mil e 95 mil pontos até que apareça uma boa notícia em relação à pandemia, como o anúncio de uma vacina", avalia Teixeira.

Fábio Colombo, administrador de investimentos, também avalia que a pandemia continua sendo o principal assunto da pauta do mercado financeiro.

"A maioria das economias está voltando a funcionar gradualmente, mas várias estão tendo que retroceder, devido ao aumento do contágio", afirmou.

Para ele, os investidores vão avaliar agora o sucesso das reaberturas de diversas economias, e o impacto da doença sobre elas, além de estarem na expectativa do anúncio de algum tipo de vacina contra a Covid-1.

Dólar subiu em junho

O dólar comercial fechou em alta frente ao real tendo como pano de fundo as tensões geopolíticas entre China e EUA.

No mês de junho, em que a moeda americana chegou a operar abaixo de R$ 5, ela acabou se valorizando 1,93% frente ao real e, no ano, sobe 35,6%.

Nesta terça, a bolsa brasileira ganhou um pouco de fôlego com a divulgação dos dados de confiança do consumidor, apontando alta acima da esperada pelo mercado.

O índice de confiança do consumidor dos EUA subiu de 85,9 pontos em maio para 98,1 em junho. A expectativa era que o índice subisse a 91 pontos.

"À medida que o processo de reabertura da economia possa ocorrer sem problemas e as pessoas possam voltar ao trabalho, naturalmente veremos uma melhora na confiança e uma consequente melhoria nos gastos do consumidor também", escreveram os analistas da empresa de serviços financeiros Jefferies em relatório a clientes.

Nos Estados Unidos, o Nasdaq avança 1,18% e o S&P500 tem alta de 0,72%. Apenas o Dow Jones opera perto da estabilidade, com leve queda de 0,08%.

"O indicador de confiança nos EUA mostra alívio na medida em que a economia americana sai paulatinamente do lockdown. A melhora nas expectativas e nos indicadores de mercado de trabalho são sinais positivos", afirma Felipe Sichel, estrategista-chefe do Modalmais.

Principais ações em queda

Nesta terça, as principais ações do Ibovespa operam em baixa, mas reduziram as perdas verificadas na abertura.

Os papéis ordinários da Petrobras (ON, com direito a voto) recuam 0,49%, enquanto os PN (Preferenciais, sem direito a voto) perdem 0,18%. Pela manhã, esses papéis recuaram mais de 2%.

O clima de aversão ao risco global derruba o preço do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo WTI cai 1,56%, enquanto o Brent recuava 1,24%.

São as ações de bancos que apresentam as perdas mais expressivas. As ações PN do Bradesco recuam 2,10% e as PN do Itaú caem 2,15%. Jás as ordinárias da Vale sobem 0,90%.

O IRB Brasil reportou lucro líquido consolidado de R$ 13,87 milhões no primeiro trimestre, um tombo de mais de 90% ante mesmo período de 2019, já ajustado para corrigir exigências de provisões maiores.

As ações da resseguradora, que também comunicou que avalia aumento de capital, entraram em leilão após recuarem 5,5%, a R$ 11,77, pela manhã. Nesta tarde, voltam a cair com força e perdem  5,06%.

China e EUA no foco

Segundo especialistas, a aprovação pelo parlamento chinês de uma nova lei de segurança nacional para Hong Kong deixa os investidores receosos porque amplia tensões entre a China e os Estados Unidos.

"Os EUA tinham ameaçado impor sansões ao gigante asiático se a ofensiva fosse adiante e o Reino Unido cogitou receber os cidadãos locais de sua ex-colônia que não queiram ficar sob o domínio da China", escreveram os analistas da Correparti em boletim aos clientes.

Na Europa, as Bolsas fecharam sem direção única. Enquanto Frankfurt subiu 0,64%, Londres recuou 0,90% e Paris perdeu 0,19%.

Na Ásia, as bolsas encerraram a sessão desta terça em alta depois que o PMI industrial chinês subiu de 50,6 em maio para 50,9 em junho sinalizando recuperação na segunda maior economia do mundo.

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