Saída de Decotelli é dada como certa, e Planalto espera que ele peça demissão

Agência O Globo |

A saída de Carlos Alberto Decotelli já e dada como certa por interlocutores do Palácio e fontes ligadas ao ministro da Educação. Segundo interlocutores, o próprio ministro deve pedir para deixar o cargo para não criar mais desconforto ao governo. Na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro escreveu em sua página do Facebook que Decotelli "não quer ser um problema"  para sua pasta.

No final da tarde de segunda-feira, Decotelli se reuniu com o presidente e após a conversa disse que continuava ministro. Apesar disso, desde ontem Bolsonaro estuda nomes para substituir o ministro da educação. A situação de Decotelli ficou ainda mais crítica com a divulgação de uma nota pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) negando que o ministro tenha sido professor das escolas da instituição. Segundo a fundação, ele atuou como professor colaborador "apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos".

O ministro tinha uma agenda com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na tarde desta terça-feira, mas foi cancelada a pedido de Decotelli.

Nesta terça-feira, os nomes de Sergio Sant'Ana, ex-assessor de Weintraub, e Ilona Becskeházy, atual secretária de Educação Básica, continuam circulando como opções para substituir o ministro. Ambos têm o apoio da ala olavista do governo. Além deles, na tarde desta terça, o nome de Gilberto Garcia também começou a circular como opção. Garcia é frei franciscano e já foi membro do CNE (Conselho Nacional de Educação). O professor teria sido indicado por Antônio Veronezi, empresário do setor privado e próximo a Onyx Lorenzoni e ao ex-ministro Abraham Weintraub.

Após o anúncio de seu nome ser bem recebido dentro e fora do governo, Decotelli passou a ter o currículo na plataforma Lattes, que ele próprio publica, questionado. O doutorado pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, usado por Bolsonaro ao anunciar Decotelli, foi desmentido pelo reitor da instituição, Franco Bartolacci.

Depois, Decotelli foi acusado de plagiar sua dissertação de mestrado. Ontem, outra distorção no currículo veio à tona. Mesmo sem ter doutorado, continuava constando na plataforma Lattes do ministro um "pós-doutorado" pela  Universidade de Wüppertal. A instituição afirmou que Decotelli fez uma pesquisa na universidade em 2016, por três meses, mas nunca deu qualquer título a ele. Um pós-doutorado não é um título acadêmico formal, mas é um termo usado em referência apenas a pesquisas feitas após um acadêmico obter um título de doutor — o que Decotelli não tem.

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