Brasil só se recupera da última recessão em 2024, após novo tombo do PIB este ano, diz economista da FGV

Agência O Globo |

Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada da Fundação Getulio Vargas, afirma que o PIB (Produto Interno Bruto) não volta aos níveis de 2014, período anterior à mais longa e profunda recessão que tivemos até agora, antes de 2024. O fraco crescimento nos anos seguintes à recessão anterior já tinha empurrada a recuperação total para 2021. Agora, com nova recessão e ainda mais profunda, essa reação ficou para 2024.  

O Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos) estabeleceu o início da recessão no primeiro trimestre. Foi por causa do início da quarentena em março? 

A explicação vem bastante do que ocorreu em março. O fato de janeiro e fevereiro terem sido fracos não ajuda. Vai ser uma recessão curta. No terceiro trimestre vai ter crescimento. Mas a queda no segundo trimestre vai ser bastante profunda, vai deixar herança. Quando acabar, o PIB vai estar lá embaixo.

Já vai haver crescimento no terceiro trimestre?

Esperamos expansão de 7% no terceiro frente ao segundo. Há comércio reabrindo, dados de mobilidade e consumo de energia elétrica, diesel, já mostram reação. Junho já mostrou uma recuperação em relação a abril, o que não vai impedir queda forte de 10% no segundo trimestre. Não vai recuperar. Depois do terceiro trimestre, vai ser mais gradual, mais lento. 

Mas a recuperação pode ser abortada se a pandemia se intensificar? 

 Eu acho que não volta a fechar tudo como foi em março e abril. Não há condições políticos, há pressão do empresariado, do próprio presidente da República, mas é claro que, com os casos aumentando as pessoas ficam em casa. Uma recuperação da recessão anterior só em 2024. 

A recuperação em relação à recessão de 2014 a 2016?

Crescemos pouco em 2017,2018 e 2019. A recessão do coronavírus veio com o PIB abaixo do que tinha sido em 2014, com essa queda adicional, recuperação total que viria em 2021 ficou para 2024. Há muita incerteza, estamos prevendo que a taxa de desemprego deve subir para 18,7%, cinco percentuais do que foi pico da recessão de 2015, de 13,7%. O que vai fazer com esse mundo de desempregados. Há um esgarçamento do tecido social não trivial. Significa uma explosão de informalidade no país, é um de fato.

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