Os 40 anos do papa no Vale: a visita de João Paulo 2º a São José e Aparecida

João Paulo 2º foi o primeiro papa a visitar o Brasil; pontífice esteve em S. José e Aparecida

Marcos Eduardo [email protected] | @jornalovale

Dia 4 de julho de 1980. Em São José dos Campos, seria um dia histórico. Centenas de carros se dirigiam ao aeroporto, causando até congestionamentos nas vias de acesso. E tudo por um único objetivo: esperar a chegada do papa João Paulo 2º. Foi uma passagem tão rápida, que poucos conseguiram ver. Era a primeira vez na história que a cidade receberia o líder máximo da Igreja Católica.

Aliás, era a primeira visita oficial de um papa no país -- ele chegou no dia 30 de junho, em Brasília e visitou várias outras cidades do país, inclusive duas na região: no mesmo dia 4, também foi para a Aparecida, onde rezou uma missa para 400 mil pessoas.

No CTA, João Paulo 2º desembarcou de helicóptero e percorreu a pista do aeroporto em um carro Chrysler 1927.

Lá, recebeu algumas relíquias do padre Rodolfo Komoreck, que viveu muitos anos na cidade. O relicário foi entregue pelo então prefeito Joaquim Bevilacqua. "Foi um acontecimento marcante e emocionante, pois pela primeira vez um papa esteve em São José, ainda que rapidamente, e o DCTA foi tomado por grande parte da população joseense que queria vê-lo e receber uma benção", recordou o ex-prefeito a OVALE. "Como prefeito, me senti honrado em recebê-lo e esse fato marcou minha carreira", afirmou Bevilacqua, hoje com 76 anos.

Outro que não se esquece do dia é o radialista Edson Fonseca. Na época, era repórter esportivo da antiga Rádio Clube AM de São José. E tentou, sem sucesso, entrevistar o papa.

"Eu fiquei lá embaixo e, aí, chegou um segurança japonês, que nunca esqueço, perguntando se eu era da rádio. Eu disse que sim e ele me disse que a gente não poderia entrevistar o papa, apenas a Globo", disse.

Mas Fonseca não desistiu e tentou driblar todo o esquema de segurança para conseguir se aproximar. "Eu, com microfone sem fio e acostumado a fazer reportagens de futebol, cheguei perto dele e falei: 'seu papa, uma palavrinha'. Aí só sei que levei uma gravata de algum segurança. Alguém deve ter pensado que eu era um terrorista", conta, aos risos. "Foi uma emoção muito grande".

O dia 4 de julho de 1980 virou selo postal e está carimbada na memória do Vale do Paraíba..

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