Brasil

Primeiro 'censo' nacional sobre contágio de Covid-19 terá início nesta quinta

Agência O Globo
13/05/2020 às 08:19.
Atualizado em 24/07/2021 às 20:34
Pandemia em Manaus (Leonardo Leão/ Manauscult)

Pandemia em Manaus (Leonardo Leão/ Manauscult)

Após semanas de discussões, o estudo em âmbito nacional que pretende medir o nível de subnotificação dos casos de Covid-19 no Brasil terá seu pontapé inicial dado. Nesta quinta, cerca de 2.600 pesquisadores irão às ruas para aplicar testes rápidos na população. Somente nesta primeira etapa, 33.250 pessoas serão testadas.

O teste sorológico, também chamado de rápido, não detecta a presença do SARS-CoV-2 no organismo, mas sim dos anticorpos produzidos no contato com o vírus. Justamente por isso, seu resultado é questionado por especialistas. Para sua confiabilidade ser maior, é preciso considerar que os resultados retratam uma realidade de até duas semanas antes da realização da coleta.

Ao todo, a pesquisa será realizada em três etapas, com um intervalo de duas semanas entre cada uma. No fim, 99.750 brasileiros terão sido testados.

O nome técnico para este levantamento é inquérito sorológico, e o número de testados servirá como uma amostra do total da população. Assim, será possível estimar o percentual de infectados em cada cidade. Para abranger de maneira uniforme todos os estados, foi adotada a divisão do território por regiões administrativas, estabelecidas pelo IBGE. Ao todo, são 133 no país. Em cada uma delas, 250 pessoas passarão pelo teste a cada rodada. O Rio de Janeiro, por exemplo, conta com cinco. Já São Paulo, 11.

As 133 cidades visitadas foram escolhidas por serem consideradas satélites das regiões administrativas. Em cada um destes municípios, foram sorteados os setores censitários (também estabelecidos pelo IBGE), que contam com 300 residências cada. As casas e os moradores também foram definidos por sorteio, numa escolha que deixa o universo examinado quase que totalmente definido pela aleatoriedade.

O estudo foi encomendado pelo Ministério da Saúde junto à Ufpel (Universidade Federal de Pelotas). A instituição gaúcha coordena um projeto semelhante no Rio Grande do Sul. Nesta quarta, inclusive, serão divulgados os dados da terceira etapa da pesquisa estadual, que contará ao todo com quatro fases.

Na versão nacional, seis instituições de ensino atuarão no núcleo científico do trabalho. Além da Ufpel, participarão a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, a Universidade Federal de São Paulo, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro e a Fundação Getúlio Vargas.

As conversas entre o Ministério da Saúde e Pedro Hallal, reitor da Ufpel, tiveram início em 29 de março, quando a pandemia de Covid-19 ainda estava em suas primeiras semanas no Brasil. O acordo foi assinado poucos dias depois, e a pasta liberou R$ 12 milhões para a realização da pesquisa. O órgão ainda disponibilizou os 100 mil kits de testes rápidos que serão utilizados. O Instituto Serrapilheira, do Rio, também apoia o estudo.

Com o financiamento garantido, o Ibope foi contratado para a realização do trabalho de coleta dos dados nas ruas (além dos testes, os pesquisados respondem a um breve questionário). A partir daí, no entanto, as discussões passaram a correr num ritmo mais lento. Neste período, o Ministério da Saúde passou por mudanças com a saída de Luiz Henrique Mandetta e a entrada de Nelson Teich. Além disso, os equipamentos de proteção individual a serem usados pelos pesquisadores demoraram a chegar.

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