Covid-19 ameaça arrecadação de partidos da região para eleição

Fundo Eleitoral, que tem sido cogitado para reforçar ações contra o novo coronavírus, foi importante na receita de partidos no Vale em 2016

Da redaçã[email protected] | @jornalovale

Além de colocar em dúvida a realização das eleições municipais esse ano, a pandemia do novo coronavírus também acende outro alerta nos partidos: caso o pleito ocorra, qual será o impacto da doença na arrecadação das legendas?

Já é considerado certo que, com prejuízos incalculáveis à economia, a disposição da sociedade civil para financiar candidaturas será reduzida. Além disso, existe grande pressão para que os cerca de R$ 3 bilhões do Fundo Eleitoral (R$ 2 bilhões) e do Fundo Partidário (R$ 959 milhões) sejam utilizados para o enfrentamento do vírus.

Esse segundo ponto pode ter grande impacto na disputa pela prefeitura das duas maiores cidades da região. Tanto em São José dos Campos quanto em Taubaté, as principais candidaturas em 2016 utilizaram recursos partidários.

Em São José, por exemplo, 98,9% (R$ 1,294 milhão, do total de R$ 1,307 milhão) da receita total da campanha de Shakespeare Carvalho veio do partido - o PRB, agora chamado de Republicanos. O PT, com Carlinhos Almeida, teve 16,2% dos recursos oriundos da legenda (R$ 125 mil, de R$ 774 mil). O PSDB, com Felicio Ramuth, 7,5% (R$ 96 mil, de R$ 1,2 milhão).

Para 2020, Felicio e Shakespeare serão novamente candidatos. O PT irá com Wagner Balieiro. Renata Paiva (PSD), outra pré-candidata, bancou 100% de sua candidatura a deputada estadual em 2018 (R$ 900 mil) com recursos do partido. Já o PSL, que lançará o nome de Leticia Aguiar, é a legenda que mais receberia recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário esse ano no país (um total de R$ 359 milhões). Apesar de reconhecerem a dificuldade da situação, os presidentes dos cinco partidos citados disseram que vão aguardar a definição sobre o 'fundão', e que as legendas irão se adaptar ao cenário causado pelo coronavírus. "Trabalharemos para utilizar o Fundo Eleitoral e recursos arrecadados juntos aos militantes", disse André Diniz, do PT. "O PSDB SJC sempre manteve o foco em arrecadação de recursos junto aos seus filiados", afirmou Anderson Farias Ferreira, do PSDB. "Se a orientação for de não utilização do recurso estaremos preparados", disse Anderson Senna, do PSL. "Partido pretende utilizar o que existe na lei", resumiu Shakespeare. "Acredito que essa campanha será diferente de todas as outras sob todos os aspectos", disse Renata.

Em Taubaté, o dinheiro partidário também abasteceu campanhas em 2016. Ele representou 51,3% da receita do PT e 48,8% da do Cidadania, por exemplo. "Se mantido o Fundo Eleitoral pela Justiça Eleitoral e pelo Congresso, iremos pleitear junto às direções estadual e nacional do partido os recursos", disse Urbano Patto, presidente do Cidadania, que lançará Loreny. "Nós vamos aguardar o desfecho das discussões", afirmou Salvador Khuriyeh, vice-presidente do PT, que será candidato da legenda.

Legendas divergem sobre uso do 'fundão' e o financiamento público de campanha

A reportagem ouviu os dirigentes dos partidos que terão candidatos a prefeito em Taubaté e São José sobre o uso do ‘fundão’ para o enfrentamento do vírus. Legendas como PSDB, MDB, Avante, Novo, Podemos, Republicanos e PSD se manifestaram a favor. Já siglas como PSL, PT, PSOL, Cidadania, PCdoB e PSTU apontaram que, caso a medida seja adotada, será necessário definir outras formas de financiamento público da campanha. “O Fundo Partidário e Eleitoral que financiam a democracia. Porque no sistema antigo o envolvimento de empresas com partidos políticos gerou corrupção”, disse Senna, do PSL. “O Fundo Eleitoral é a única forma de evitar a corrupção”, afirmou Diniz, do PT.

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