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Arte nas alturas: edifícios de São José viram grandes telas

Conheça o trabalho de Mr.Fred, grafiteiro morador da cidade

Paula Maria PradoPublicado em 02/09/2020 às 10:54Atualizado há 24/07/2021 às 14:30
mr fred (Divulgação)

mr fred (Divulgação)

São 45 metros de altura. Quando subiu pela primeira vez no topo do edifício Irma, no centro de São José dos Campos, Mr.Fred (@ Mr.Fredd) pensou: agora não tem mais volta! Com a oração na ponta da língua e todas as medidas de segurança possíveis, o grafiteiro subiu no paredão. O objetivo era nobre: colorir a cidade. Mas o desafio, maior do que o imaginado. O vento leva o spray, a distância para checar se o desenho está fi cando como planejado é de apenas um metro... Ir ao banheiro no meio do serviço? Sem chance! Mas quando ficou pronta a obra, o artista depois de 22 dias teve uma certeza: queria repetir o feito em quantos lugares mais fosse possível.

É graças ao grafiteiro que o coração da cidade ganhou novo cartão- -portal. Quem entra na rua Rubião Júnior vê no alto uma profusão de cores. Principalmente preto, amarelo e vermelho, as preferidas do artista. “Sempre gostei muito de desenhar e, por volta dos meus 12 anos de idade, vi uma pessoa pintando um muro em São Paulo, fazendo desenhos com latas de spray e tinta látex com rolinho. Foi amor à primeira vista. Fiquei com aquilo na cabeça e, como não tínhamos em casa dinheiro para comprar o material, comecei a rabiscar com caneta, giz escolar… Tudo o que dava para ser usado”, contou Fred.

“Até que, com 14 anos, eu e amigos do bairro fizemos uma Crew (nome dado a grupos de grafiteiros e breaking) e assim consegui meu primeiro grafite com látex e rolinho”, continuou. De olho na movimentação, seu pai o chamou e lhe presenteou com três latas de spray nas cores vermelha, amarela e preta. “Depois disso decidi que era isso que eu queria para a minha vida: ser grafiteiro”. do alto O projeto da criação de galerias a céu aberto nos prédios é resultado de anos de estudo.

“Eu já estava há muito tempo estudando a possibilidade de realizar um trabalho nesse formato e dessa proporção. Quando foi aberto o FMC (Fundo Municipal de Cultura), em São José, não havia nada específico que contemplasse a essa categoria. Então, busquei me adequar. Para minha surpresa, fui contemplado e pude realizar o projeto em dois edifícios”, contou.

Antes, o artista já havia feito um estudo de possíveis lugares e da aceitação dos moradores em ter sua moradia grafitada. Depois do Irma, o edifício Leopoldo Rossi também ganhou nova pintura. “O edital custeou boa parte do projeto, mas tive de juntar amigos e parceiros para custearmos o restante. Mas o resultado valeu a pena. Missão cumprida! Espero que outros locais abram suas portas para o grafite e possamos ter uma cidade mais colorida”, afirmou.

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