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Debaixo dos lençóis: sexualidade feminina envolta por muito prazer

Mercado erótico têm faturado, segundo dados da Abeme, R$ 1,5 bilhão ao ano

Bárbara Stephanie MonteiroPublicado em 12/03/2020 às 14:03Atualizado há 08/07/2021 às 01:48
Poder (Freepik)

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O medo de ser julgada, a autoimagem, o receio de uma gravidez indesejada e o temor de ser vista apenas como objeto fazem com que haja ainda muito tabu em cima da sexualidade e do prazer feminino. Segundo a psicóloga e especialista em medicina sexual Cris Borges, fato é que arrastamos - mesmo que de forma inconsciente - as amarras históricas da sexualidade.

“Estamos engatinhando na liberdade sexual”, cravou. “Só a partir da revolução sexual de 1960 que a mulher se sentiu mais livre. Um dos motivos foi a pílula. Foi graças ao anticoncepcional que as mulheres puderam descobrir a sua sexualidade sem medo de engravidar”, continuou ela.

Atualmente, passamos por uma nova revolução sexual. “A mulher de 2020 está em busca de prazer. Ela não se satisfaz em ter uma vida sexual morna. Hoje há mais esclarecimentos, conteúdos produzidos nas mídias, informações disponibilizadas desde a fase escolar. E isso está fazendo com que as mulheres se imponham e permitam”, ressaltou.

O resultado desse novo momento pode ser visto no mercado. Diferente daquele antigo lugar escondido e tímido, as sex shops atuais tornaram-se verdadeiras boutiques sofisticadas e amplas, que oferecem desde os tradicionais “brinquedinhos” adultos até academia de ginástica erótica e happy hour sensual só para mulheres.

Segundo dados da Abeme (Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual), o segmento erótico tem gerado faturamento de R$ 1,5 bilhão por ano. Em 2019, o crescimento foi de 8% em relação ao ano anterior. “Quando usamos a palavra ‘sex shop’, automaticamente nos vem a imagem de um local sujo, com aquelas próteses enormes e empoeiradas. Que claro, ainda existe. Mas, como em qualquer negócio, o erótico está se redescobrindo, inovando.

E o surgimento da ‘boutique’ veio como algo natural de posicionamento por conta do sigilo, exclusividade e tecnologia dos novos brinque - dos”, afirmou Carol, fundadora do site “Sob Sigilo”. “Hoje, por exemplo, já é possível uma pessoa de qualquer lugar do mundo controlar a vibração que sua parceira(o) está sentindo por meio de um link no WhatsApp”, revelou ela.

MUNDO DOS NEGÓCIOS.

A fotógrafa de São Paulo, Raiane Cunha, 28 anos, cliente das lojas de sex shop passou a ser revendedora dos produtos. “Para que meu relacionamento não caísse na mesmice, comecei a procurar objetos para inovar no sexo. Nunca senti vergonha, sempre fui bem ‘mente aberta’ para esses assuntos”, contou a jovem.

A ideia da comercialização surgiu ao perceber que muitas pessoas ainda têm vergonha de ir até à loja física. “Para vender os itens tem que ter um pouco de jogo de cintura. Há muitas mulheres que ainda são bem tímidas. Os produtos têm que ser exibidos de forma que elas se sintam a vontade”, disse. Ainda de acordo com Raiane, a procura dos homens pelos itens é baixa.

“O meu namorado mesmo até tinha vontade de usar algumas coisas, mas nunca tinha comprado nada até então. E isso me fez refletir que a mulher é muito mais sensível até mesmo para o sexo”, pontuou a fotógrafa. Já a educadora de São José dos Campos, Vivian Aparecida de Oliveira Santos, 36 anos, teve o “empurrãozinho” de um ex-namorado para começar a usar tais produtos.

“Confesso que no início estranhei, principalmente as fantasias ousadas. Algumas coisas relutei em usar, mas depois foi muito interessante”, revelou. Para a educadora, a audácia trouxe mais prazer em suas relações sexuais. “Fiquei menos inibida. E mesmo após o término do relacionamento continuei comprando coisas, e isso foi bom! Fez com que eu me conhecesse melhor. Agora sei exatamente o que gosto, o que me dá prazer e isso me possibilita ter mais desenvoltura em minhas relações”, concluiu.

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