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Vagas em EaD ultrapassa presencial

Em 2018, a quantidade de vagas no EaD pulou de 4,7 para 7,1 milhões, representando um aumento de 50% na oferta, segundo censo

Bárbara Stephanie MonteiroPublicado em 10/11/2019 às 20:54Atualizado há 25/07/2021 às 04:38
Estudantes se adaptam a atividades on-line (Divulgaçao)

Estudantes se adaptam a atividades on-line (Divulgaçao)

Pela primeira vez, a oferta de vagas nos cursos de graduação na modalidade EaD (Educação a Distância) é maior que a do ensino presencial. Segundo dados divulgados pelo MEC (Ministério da Educação) em parceria com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), foram cerca de 7,1 milhões contra 6,3 do curso presencial, representando uma diferença de 53%.

No entanto, a modalidade presencial ainda lidera em matrículas, com 6,4 milhões de inscritos, contra dois milhões do EaD, ou seja, três vez mais. O censo apura os resultados do ano anterior a sua publicação e, de acordo com os dados, o avanço de vagas a distância já vinha sendo constatado. De 2016 para 2017, o crescimento foi de 18%. Na ocasião, a quantidade de vagas saltou de 4,7 para 7,1 milhões, um aumento de 50%?

Essa virada era aguardada, segundo Paula Marcitelli da Luz, coordenadora de polo EaD da Faculdade Anhanguera de São José dos Campos. Para ela, esta modalidade é uma tendência na área da educação.

“O aluno torna-se protagonista de sua aprendizagem, desenvolvendo uma postura proativa. Durante o tempo todo, ele é estimulado a desenvolver autonomia diante do estudo, disciplina e organização, além de ter responsabilidade sobre seu desenvolvimento. As suas habilidades digitais também são estimuladas”, afirmou.

Oportunidades.

Para a enfermeira Aline Fernanda Guimarães de Oliveira, 30 anos, a comodidade foi o que a fez optar pelo ensino à distância. “Posso estudar tanto de manhã quanto à tarde ou à noite. E, como tenho a vida muito corrida, isso me ajuda bastante. Além, é claro, da questão financeira, pois o EaD tem um valor bem menor do que os cursos presenciais”, contou.

“Os cursos possuem ‘chat on-line’ que me ajuda a sanar dúvidas que podem aparecer no decorrer do caminho. Único lado negativo é que o mercado de trabalho ainda tem uma espécie de preconceito - principalmente relacionado à área da saúde - e não absorve tantos profissionais com modalidade EaD, dando preferência a quem fez o curso presencialmente”, dividiu a enfermeira.

Já a farmacêutica, Juliana Vogt Ventramine Ivo Cabral, 28 anos, teve a oportunidade de ingressar em ambos tipos de educação superior e não se adaptou a modalidade à distância. Para ela, a aprendizagem presencial é fundamental.

“Fiz a faculdade pelo ProUni (Programa Universidade para Todos) e a única opção era estudar no método presencial. Achei ótimo, pude desfrutar bastante”, contou. “Optei por fazer a pós- graduação à distância e não gostei. O contato com os professores e com outros alunos na formação faz muita diferença para o aprendizado”, opinou.

Para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, a maior oferta de vagas no ensino a distância em relação ao presencial é uma “tendência nacional e mundial”. “Isso só tende a se consolidar”, afirmou à “Agência Brasil”. Para aquele que escolhe esta modalidade é importante ressaltar que, para o sucesso, é essencial possuir organização, além de estabelecer uma rotina de estudos, um cronograma de atividades e ficar atento aos prazos.

“Reservar um lugar calmo para a aprendizagem faz toda a diferença. É fundamental estar por dentro das tecnologias e, principalmente, não subestimar o curso. Quem pensa que EaD é mais fácil está muito enganado”, aconselhou Paula. E está enganado mesmo. A evasão no ensino a distância é o principal desafio a ser superado.

“Dentre os motivos estão às dificuldades de adaptação, que exige rotinas de estudos individuais e a maior intimidade com as novas tecnologias”, ressaltou a especialista. Dados do Censo da Educação Superior apontam que, dos estudantes que entraram em 2010, 56,8% desistiram do curso e apenas 37,9% concluíram os estudos. Outros 5,3% continuavam na graduação seis anos depois do início do curso. “Mais da metade dos ingressantes desistem ao longo do curso, sendo também que há um elevado grau de pessoas que ficam muito mais tempo do que o necessário para concluir o curso”, continuou o ministro.

Segundo o MEC, o Brasil tem 8,4 milhões de estudantes de graduação matriculados em instituições de ensino superior, 20% deles em universidades públicas. Um total de 3,4 milhões de estudantes ingressou em cursos de graduação em 2018. No mesmo ano, 1,2 milhão de estudantes concluíram a educação superior.

As informações do censo foram coletadas em 2.537 instituições, 2.238 delas privadas. Neste grupo, estão matriculados 75% dos estudantes, cerca de 6,3 milhões de alunos.

Dados

Dados (Daniel Costa)
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