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Bastidores do Bom Prato de São José

Comida balanceada, feita com pitada de bom humor, uma xícara de amor e finalizada com muito carinho

Bárbara Monteiro | @Barbara_Ovale

Às 10h, faça chuva ou sol, as pessoas vão se aglomerando e tomando seu lugar na fila. Ela é longa, se estende pela rua Rubião Jr. e corta a praça João Mendes, no centro de São José dos Campos. A porta do restaurante popular Bom Prato abre pontualmente às 10h30 para o almoço. O preço da refeição: R$1.

110 kg de Arroz, 43 kg de feijão, 20 dúzias de verduras, 140 kg de legumes, 6 kg de farinha de mandioca, 140 kg de algum tipo de carne, 1.250 unidades de pãozinho, 250 litros de suco e 1.250 unidades de sobremesa são preparados diariamente para saciar a fome dos clientes. Além de saborosa, a refeição é balanceada. São, precisamente, 1.200 calorias, média diária necessária para manter um organismo adulto.

Antes, às 7h, tem o cafezinho. Achocolatado, leite com café ou iogurte, pão com margarina, requeijão ou frios e uma fruta da estação. Esse é o cardápio que atende cerca de 300 pessoas todas as manhãs. O desjejum também é equilibrado: são 400 calorias e custa apenas R$ 0,50 centavos. Dar conta deste serviço em um curto espaço de tempo não é tarefa fácil.

A cozinheira Adriana Santos Ferreira, 38 anos, sabe bem disso. Às 6 horas ela já está no restaurante “pegando no batente”. “Nosso trabalho começa muito antes do preparo da comida. Chego, coloco o uniforme e realizo a higienização das mãos e braços. Só depois que vou para cozinha fazer a verificação da temperatura da água para o arroz, cozinhar o feijão e fazer a mistura”, contou.

Apesar da árdua jornada, a cozinheira não consegue disfarçar a felicidade e o orgulho de fazer parte da equipe. “Este lugar foi um recomeço na minha vida. Eu agradeço muito a Deus por este emprego e os colegas de trabalhos que são maravilhosos. Tirei o bilhete premiado”, emocionou-se.

BOM HUMOR

Entre os 16 funcionários do restaurante, se destaca o sorriso de João Paulo Xavier Ribeiro Balbino, de 19 anos. Este é o primeiro emprego do rapaz. “No meio de tantos currículos, o meu foi escolhido e estou aproveitando bem a oportunidade. O ambiente aqui é bacana, trabalhamos sempre com muito bom humor. Sinto-me feliz servindo as pessoas! O bacana é que conseguimos fazer um bom atendimento com agilidade”, orgulha-se.

A auxiliar de cozinha, Viviane aparecida de Andrade Santos, de 37 anos, que está há um mês no restaurante concorda com o jovem e garante que o atendimento é especial. “Não fazemos diferenciação entre as pessoas. Acolhemos todos igualmente. Isso é o que mais gosto daqui!”. “Tenho a oportunidade de ter bastante contato com os clientes e essa troca é muito interessante. Quando vou servi -los, recebo elogios como: ‘você é nossa querida’, ‘você nos trata muito bem’”, continuou ela.

“Às vezes, algumas pessoas chegam com uma expressão mais fechada. Mas, aí, é só a gente chegar com um ‘bom dia’ carinhoso que tudo muda”, diverte-se. O aposentado José Pires de Faria, 88 anos, que o diga. Ele afirma sentir o carinho da equipe e garante: a comida é mesmo uma delícia.

“Fui na minha consulta médica de rotina e aproveitei para almoçar. Sempre que possível faço minhas refeições aqui, pois além de ser uma comida gostosa, os funcionários são prestativos. Dá para matar ‘beeem’ a fome!”, brincou José.

Dona Maria Granado, de 76 anos, aproveita a ida ao Bom Prato para fazer novas amizades. “Fico sozinha em casa. Então, quando venho almoçar, aproveito para bater-papo. Já na fi la, converso com um aqui, outro ali”, disse. “E quando minha neta sai de férias da faculdade e vem para cá, eu também a trago. Assim como eu, ela gosta da comida”, contou a aposentada. Visitando a cidade, Maria Luiza, de 55 anos, que mora em Guarulhos (SP), parou para tomar um café no restaurante.

“Toda vez que estou em São José venho aqui. Eu não posso comer sal por conta da saúde, então tenho que escolher um lugar que tenha alimentos balanceados. Além disso, como não estou trabalhando, o preço é atrativo”, afirmou. Ela também brinca dizendo que entra na fi la mais de uma vez: “É uma delícia. Eu provo duas até quatro vezes a refeição”, riu.

CONTROLE DE QUALIDADE

Segundo a gerente nutricionista da unidade, Taís Tamires dos Santos Moreira Santana, 25 anos, para atender a necessidade de cada um e não haver desperdícios, as bandejas são separadas em duas cores. “Na de cor bege, a quantidade de arroz e feijão é um pouco menor do que na bandeja laranja”, explicou.

A estagiária de nutrição Camila Machado Xavier, 23 anos, é a responsável pela parte administrativa: faz contato com os fornecedores, verificação do estoque, cuida do controle de temperatura dos equipamentos como geladeira, fogão, balcão térmico e da esterilização dos utensílios. “Diariamente retiramos uma amostra de todos os alimentos servidos. Ela fica armazenada por um período de 30 dias para ser analisada em laboratório, caso exista algum tipo de reclamação por parte do cliente”, revelou ela.

“Tudo aqui é feito com muito cuidado, até a água do banheiro é filtrada. Não paramos um minuto para garantir que tudo saia corretamente! É muito satisfatório ver as coisas funcionando”. A equipe recebe treinamento mensalmente. “A responsabilidade é muito grande porque trabalhamos com o resgate da cidadania”, disse Fernando Oliveira de Jesus, supervisor da unidade. “Vemos pessoas que não tem condições financeiras, alegres por conseguir pagar pelo seu alimento. Tudo isso é muito gratificante. Fazemos com muito amor”, concluiu.