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Fiat 147: primeiro carro a etanol produzido no mundo faz 40 anos

Primeira unidade do automóvel foi preservada e funciona exatamente como há 40 anos

Da Redação | @jornalovale

Pioneira no mundo na produção em série do motor a etanol, a Fiat comemorou no último dia 5 de julho, 40 anos da chegada do primeiro Fiat 147 às ruas do país.  Apelidado de “Cachacinha” por causa do odor característico exalado pelo escapamento, o Fiat 147 a etanol simbolizou um marco importante para a engenharia automotiva brasileira, que a partir daquele ano engatou uma marcha na direção do desenvolvimento de tecnologias em prol de veículos mais eficientes e menos poluentes.

Para celebrar o aniversário, a Fiat colocou a primeira unidade do 147 a etanol nas pistas de testes da fábrica de Betim (MG), exatamente como há 40 anos, como se estivesse acabado de sair da linha de produção. O exemplar raro, que na época foi vendido para o Ministério da Fazenda, órgão do Governo Federal, faz parte hoje do acervo de clássicos da marca e está praticamente original, sem restauração.

 “É emocionante ver esse carro de perto não só pela importância de ser o primeiro Fiat 147 a etanol, mas também por estar funcionando perfeitamente com todos os elementos de época originais, como partida a frio e afogador, além de preservar a tampa vermelha do motor e a pintura original, com direito alguns toques de batida de porta”, afirmou em nota Robson Cotta, gerente de Engenharia Experimental da FCA (Fiat Chrysler Automóveis).

Desenvolvimento

A história do Fiat 147 a etanol começou em 1976, quando as pesquisas e o desenvolvimento do motor movido ao derivado da cana-de-açúcar começaram – mesmo ano em que o 147 a gasolina foi lançado no Brasil, tornando-se o primeiro carro Fiat fabricado no país. “Vivíamos a era do Pró-Álcool, um programa nacional para combater a crise do petróleo”, lembrou Cotta.

O protótipo foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo. E o ano seguinte foi dedicado ao aperfeiçoamento técnico do produto. Em 1978, a Fiat desenvolveu o motor 1.3 de 62 cv de potência e 11,5 kgfm de torque que, durante os testes, acabou se mostrando mais adequado para o uso do etanol que o propulsor a gasolina de 1.050 cm3, até então utilizado no modelo.

No início daquele ano, três Fiat 147 a etanol foram entregues ao DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) para serem experimentados no policiamento da Ponte Rio-Niterói. Em setembro de 1978, um Fiat 147 100% a etanol realizou o que viria a ser o teste definitivo para criação do primeiro motor brasileiro a etanol: uma viagem de 12 dias e 6.800 quilômetros de extensão pelo país, percorrendo uma média superior a 500 km diários, 3.000 km por vias de terra e variações climáticas de mais de 30 graus.

O Fiat 147 foi sucesso de vendas. De 1979 a 1987, foram comercializadas 120.516 unidades no país.

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EXTRA

Um dos principais feitos do Fiat 147 a etanol foi conquistado por mulheres

No universo do automobilismo, um dos grandes feitos do Fiat 147 a etanol foi conquistado por mulheres. Considerado o primeiro grande rali internacional realizado no país, o Rallye Internacional do Brasil, em 1979, viu o Fiat 147 Rallye #73 da dupla feminina Anna Cambiaghi (italiana) e Dulce Nilda Doege (brasileira) terminar em quarto lugar na classificação geral e ser o carro brasileiro de melhor classificação na prova, que teve nada menos do que 2.200 km de percurso.

Elas faziam parte do Team Aseptogyl/Panthères Roses/Concessionárias Fiat.