Museu a céu aberto: arte de rua se transforma e ganha cada vez mais destaque

Marcos Eduardo Carvalho | @marcosovale78

A arte passou por grandes transformações ao longo dos séculos. Desde a Grécia antiga, passando pela Idade Média, se transformando com a Revolução Francesa e chegando aos dias atuais. A realidade política e social impactou diretamente nesta transformação. Até a idade média, por exemplo, quando se falava em ‘arte’ já se pensava nas imagens sacras pintadas nas igrejas em obras clássicas como as feitas na Capela Sistina, no Vaticano, por exemplo. Aliás, a arte sacra e religiosa teve forte influência dos gregos e dos romanos.

O Renascimento, movimento que surgiu ainda na Idade Média, influenciou e impactou a arte. A arte, que era voltada para temas religiosos e místicos, passou a ser mais humanista, valorizando o ser humano, o ‘eu’, o chamado ‘antropocentrismo’ (homem como centro do mundo) em oposição ao ‘teocentrismo’ (Deus como centro do mundo).

Nomes históricos como Leonardo Da Vinci, autor de ‘Monalisa’, o quadro mais famoso de todos os tempos, talvez tenha sido o principal expoente da arte durante o período renascentista. Embora fosse engenheiro, matemático e tivesse até tentado criar os primeiros veículos para voar, ele ficou famoso mesmo pelos seus quadros, ainda restritos à elite religiosa da Europa Medieval.

Movimentos com a Revolução Francesa, que colocou o mundo na Idade Contemporânea, também colocou a arte na casa das pessoas. Uma coisa que antes era restrita às igrejas e aos palácios dos reis absolutistas, passaram a ser apreciada também pelas pessoas, embora ainda assim de uma maneira restrita à burguesia e às nobrezas da época.

DIAS ATUAIS.

Mas a arte continuou evoluindo. E, nos dias atuais, ficou muito mais democrática, aberta e acessível à todas as pessoas. A arte de rua é a principal voz dessa nova geração e se espalha por todos os lugares. Grandes centros urbanos no mundo todo, inclusive no Velho Continente, são telas a céu aberto para esses novos artistas. Berlim, capital da Alemanha, é um dos principais lugares do mundo quando se fala em grafite e arte de rua.

Além de criações próprias, eles também fazem releituras de obras clássicas. Um exemplo é o artista brasileiro Eduardo Kobra, de São Paulo, que fez essa releitura com o quadro de Monalisa. Na versão tupiniquim, a personagem aparece com um spray pintando o quadro com a imagem de Leonardo Da Vinci – a ideia do artista inclusive é fazer uma alusão à ideia de que Monalisa seria, na verdade, um ‘autoretrato’ do próprio Da Vinci.

Mas os artistas de rua considerados mais famosos do Brasil são os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, conhecidos dentro e fora do país por seus trabalhos realizados desde a década de 1980. Eles começaram em São Paulo e hoje pintam prédios nos Estados Unidos e Europa. Seus personagens de pele amarela são característicos. É a voz da arte de rua democratizando a cultura.

Para o artista de rua Alemão Art, o trabalho faz parte do dia a dia. “Ela, na verdade, faz parte do cotidiano, faz parte da história da humanidade. É algo que acontece espontaneamente. Ela acabou fazendo parte da humanidade exatamente nos momentos de protestos”.

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