Quarentena aumenta uso das redes sociais e especialistas pedem cautela com exageros

Marcos Eduardo [email protected] | @jornalovale

 Desde o início da pandemia do novo coronavírus, já se passaram mais de 100 dias. No Brasil, muitas pessoas estão cumprindo a quarentena e o distanciamento social para diminuir o ritmo de contágio pela doença.

E, justamente por conta deste momento difícil atravessado pela humanidade, sem poder ter contato direto até mesmo com parentes e amigos, a tecnologia tem sido uma solução. Mais especificamente, as redes sociais. Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp, entre outros meios de comunicação virtual.

As redes sociais assumiram um papel importante nas relações humanas. Mesmo sem ter contato direto com as pessoas, é possível saber o que estão fazendo, como estão vivendo. Já era assim antes da pandemia. Agora, ainda mais.

Assim, surge também o questionamento de que até que ponto isso pode ser bom? Até que ponto o uso das redes sociais pode prejudicar a mente das pessoas?

Para a psicóloga Andréa Leão, de São José dos Campos, é importante ressaltar que a sociabilidade digital está cada vez mais presente no nosso cotidiano e tem aumentado bastante em detrimento à sociabilidade presencial. "A pandemia trouxe dentro das casas as redes sociais como algo inevitável, um caminho de ter relacionamento e contato humano".

A também psicóloga Denise Camargo ressalta os benefícios da internet e, mais especificamente, das redes sociais durante a pandemia.

“Imagine-se sem contato algum com familiares, amigos, colegas de trabalho, ou no máximo ouvindo a voz deles? Parece bem assustador. As tecnologias por meio de vídeo, as fotos, participar da vida das pessoas mesmo que a distância nos aproxima delas, traz a sensação de proximidade, de interação", disse Denise.

OS DOIS LADOS.

Os especialistas em comportamento entendem que existem vantagens e desvantagens no uso das redes sociais. "No digital eu filtro o que quero mostrar. Por outro lado, eu não tenho o abraço, o toque, o olhar terno que segura nas minhas mãos e diz que está tudo bem, que isso vai passar. Por isso que a gente sempre pondera esse uso. É saudável o uso das redes sociais, desde que não seja a única forma de contato", disse Andréa Leão.

Porém, aquela busca constante por novos comentários ou 'curtidas' nas postagens também pode se tornar um problema. "Precisamos ficar de olho em quanto tempo eu utilizo esses recursos. Se eu fico muito tempo, se eu fico toda hora conferindo quem curtiu minha foto, se eu dependo desses meios para me sentir bem, é necessário estabelecer um limite. É importante a gente refletir sobre o quanto eu tenho consumido ou tenho tido a necessidade de checar mensagens, comentários, perfis, o quanto do meu dia eu gasto nisso", ressalta.

“Isso pode provocar uma dependência, então é importante separar: as redes sociais são ferramentas necessárias, úteis, se usadas de forma adequada. Ou seja: que não seja um uso exclusivo delas", afirma.

Para Andréa, alguns sintomas são bem marcados: irritabilidade se está sem internet ou sem bateria, agressividade, necessidade de checar informações de forma muito recorrente, precisar dormir com o celular perto e olhar mensagens até de madrugada, checar 'likes'.

“Como tratar? Diminuindo a exposição a essas redes sociais e aos aplicativos de redes sociais. Na pandemia, as redes sociais não devem ser a única forma de prazer. Podemos diversificar as atividades com música, filmes, exercícios físicos, artesanatos, atividades acadêmicas, leituras, enfim. Uma diversidade de atividades é o ideal para o ser humano".

Já Denise Camargo ainda ressalta a necessidade de termos cuidado com a forma como nos conectamos com as redes sociais e como lidamos com o que vemos. "Faça uma análise no fim do dia como está seu estado de humor ao interagir com as redes sociais", afirma Denise.

"A saturação de atividades oferecidas online pode levar a frustração e ao sentimento de incapacidade por não dar conta de tudo", ressalta a psicóloga de São José.

 

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