Bordados de moradora de São José levam visitante ao mundo psicodélico da natureza

Thais Perez @_thaisperez | @_thaisperez

Um mundo com flores coloridas, pássaros exóticos, índias e ciganas como protagonistas. Quem vê Dona Thereza, uma senhora doce de 76 anos, não imagina que sua imaginação fértil tem asas que a levam até cenários como esse.

Ela vive em uma casa na zona leste, perto da zona rural. Seu dia a dia inclui cuidar dos netos e bisnetos. "Eu desenho e bordo para não ficar pensando em coisa ruim, sabe?", conta ela, entre interrupções para falar com seus filho -- precisa ficar a par de tudo que está acontecendo em casa.

A mente sempre tão atenta e as mãos rápidas bordam todos os dias. Na pasta, Dona Therezinha guarda 108 desenhos feitos à lápis que está passando para o bordado. Sempre desenhou, mas os bordados artísticos são arte nova em sua vida.

"Meu neto me sugeriu o bordado. Disse que meus desenhos precisavam ser mostrados ao mundo antes que eu morresse", disse. Assim foi, começou a bordar e hoje tem 44 peças que estão expostas no Museu do Folclore de São José dos Campos.

Seu jeito carismático e simples de falar esconde uma mente complexa, que mesmo próxima dos 80 anos, consegue sintetizar preocupações com o mundo de hoje.

Os desenhos que formam cenas quase que psicodélicas mostram uma natureza que Dona Thereza defende. Criada na fazenda, sem estudo ou aulas de desenho, sempre esteve junto dos animais e do verde, elementos que viu se deteriorarem com o passar dos anos.

"Através da natureza, eu vejo como que o poder de deus é grande. Tem tanto tipo de flor, tanto tipo de animal. A gente precisa preservar isso, os meus desenhos servem para as pessoas refletirem sobre isso", explica Dona Thereza, cheia de sabedoria.

Bordando suas peças há 5 anos, os desenhos de Dona Thereza são inspirados também em contos que ela escreve. Muitos deles contam histórias de animais que ela viu na vida e de índias perdidas na mata.

"É tudo da minha cabeça. Eu vejo um pássaro, olho uma árvore e vou desenhando tudo, formando um quebra cabeças", disse ela, que explica que os olhos que costuma desenhar representam o olhar do ser humano sobre a natureza.

A exposição intitulada "Território de Sonhos e Lembranças" fica no Museu do Folclore até 31 de maio, de terça a sexta das 9h às 17h e aos fim de semanas das 14h às 17h..

 

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 7,5 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.