A resistência do vinil: lojas de disco atraem apaixonados por música

Thais Perez @_thaisperez | @_thaisperez

"O mundo ainda não está perdido", diz Sidney Pereira, dono da loja de discos Good Times, que fica no coração do centro de São José dos Campos, no Shopping Centro.

Uma lembrança antiga que ainda está viva em sua memória, é ativada toda vez que jovens ávidos por música entram em sua loja.

Entram, vasculham, olham e os que não deixam a timidez tomar conta de si, conversam.

A venda vira um papo gostoso, afinal, nada melhor do que falar de música.

Pereira abriu a loja há dois anos, resultado de uma mistura de necessidade e paixão. Antigamente, era frequentador de lojas como essa, que foram sumindo através dos anos.

Perto da virada de uma nova década, os discos de vinis voltaram a ser relevantes. De acordo com a revista Rolling Stone, as vendas de discos de vinil poderão gerar mais receita anual do que os discos compactos pela primeira vez desde 1986.

"A qualidade técnica do som não mudou desde a chegada do CD. O disco de vinil é gravado analogicamente e preserva os agudos e graves", explica Pereira, sem negar que o sucesso dos vinis também tem um fator de nostalgia.

O "bolachão", como era chamado antigamente, provoca sentidos que nenhuma outra mídia é capaz de reproduzir.

"Você tem o tato, o cheiro, o visual da capa, as letras de música. O vinil traz todo um conteúdo de informação que o streaming não traz", completa.

Antes de abrir a loja, Sidney Pereira tinha um acervo de cerca de mil cópias de discos em vinil. Seu primeiro LP vendido foi um da banda Jethro Tull, o que doeu um pouco.

Mesmo assim, desde que abriu a loja, que tem uma história relativamente nova, fez do local um ponto de encontro para amantes de música, onde os clientes podem pedir indicações para o dono.

Atualmente, existem quatro lojas e uma banca que vende exclusivamente discos de vinil e artigos de música.

Uma delas fica perto da loja de Pereira e também foi aberta recentemente. Com menos de um ano, a loja de Patrícia da Fonseca e seu marido, virou uma zona do rock em São José.

A Nosferatu, que também fica no Shopping Centro, é focada em rock pesado. No local, é possível encontrar discos que não são comercializados em grandes varejos.

A loja tem ganhado notoriedade, com parcerias com shows e sessões de autógrafos. "O público do rock é muito fiel, acredito que isso faz parte do sucesso", disse Patrícia.

Para ela, a cidade estava precisando de um local totalmente dedicado ao tema. "Acho que os rockeiros estavam se sentindo muito abandonados".

Uma das bancas de jornal da Afondo Penna é de Tony Miranda, um colecionador que atua há anos, mas abriu sua banca a pouco tempo.

"Tenho discos raros como o 'Racional' de Tim Maia, que custa mil reais e 'Louco Por Você', disco proibido de Roberto Carlos, que é vendido por 5 mil reais. Minha paixão sempre foi isto aqui. Tenho um público fiel, geralmente o pessoal mais velho", conta.

SÃO JOSÉ DOS VINIS.

A loja mais antiga de discos ainda em atividade em São José dos Campos é a Som Lemos, que é administrada por uma família. Com mais de 30 anos de história, a loja recebe clientes que passaram seu amor pela música por gerações.

Paulo Lemos, que faz de tudo um pouco na loja, conta que aprende muito com a loja. "Tem sempre lançamentos, coisas novas para ficar de olho", conta o patriarca da família.

Ele conta que a maioria dos clientes são pessoas mais jovens, que nem viveram a época do vinil. Hoje, esses clientes visitam a loja frequentemente e, de certa maneira, estão garantindo o futuro do netinho de Seu Paulo, que acaba de nascer.

Lauro, dono da loja Midimax, que tem 20 anos de história, começou a vender vinis há dois. Atualmente, conseguiu equilibrar a venda de CDs e LPs.

"Antes tínhamos 25 lojas de vinil. Hoje, entre nós cinco, trabalhamos todos juntos, indicamos uns aos outros, fazemos trocas", conta ele, que também teve um estúdio de gravação na cidade.

Mesmo com as dificuldades do mercado, os apaixonados por música continuam firmes, sem riscar o disco. Sempre há novos horizontes para a música. "No final, somos todos resistentes", diz Sidney Pereira..

 

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