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Exposição interativa do 'Cartas Perdidas' propõe escrita ao próximo

Thais [email protected]_thaisperez | @_thaisperez

As cartas sempre causam um rebuliço quando chegam. Quando vêm de longe trazendo notícias de uma terra distante, passam de mãos em mãos. Quando revelam segredos, as cartas de amor sempre acabam guardadas em caixinhas secretas por anos, para serem lidas e relidas por corações quebrados ou não.

As palavras escritas em uma carta são como um aceno, um olhar que inicia uma conversa. Não existe coisa mais prazerosa do que começar uma prosa, descobrir coisas novas sobre alguém, assim como não há felicidade maior do que receber um envelope com seu nome estampado.

Em um mundo em que as pessoas não olham ansiosas para a janela para ver se o carteiro chegou, Guilhermo Codazzi, jornalista, escritor, editor-chefe de OVALE, tomou para si a missão de conectar pessoas através de cartas. A missão do escritor é entregá-las para quem precisa no projeto "Cartas Perdidas", que existe desde o início deste ano.

Feito a várias mãos e canetas convidadas por Codazzi, diversos envelopes chegam até asilos, população de rua, pacientes de hospitais e até mesmo para vítimas da tragédia de Brumadinho.

Através de uma verdadeira corrente do bem, o projeto se espalhou, chegando a mais de 300 participantes. Depois de quase 10 meses de projeto, o "Cartas Perdidas" ganhou uma exposição que tem início nesta quarta-feira e fica em cartaz até o dia 15 de setembro no Pátio das Américas (Av. Cassiano Ricardo, 319 - Jd. Aquarius), em São José, com entrada gratuita.

No espaço, além de poder ler cartas escritas através do projeto, o visitante também pode sentar e escrever sua própria carta, com ou sem destinatário, com a certeza de que ela será entregue e lida.

Qualquer um pode participar destinando cartas para os "cabecinhas de algodão", como o escritor apelidou os idosos do asilo São Vicente de Paulo, ou para tantos outros que anseiam por uma simples conversa, um bate-papo que muitas vezes é silencioso, introspectivo, mas nunca deixa de arrancar um sorriso.

Mesmo com a vontade de ajudar, por vezes novos voluntários do projeto perguntam o que devem escrever nas cartas.

"Isso mostra como estamos com dificuldade de estabelecer contato com outras pessoas. Estamos construindo muros, ao invés de pontes. A carta é uma conversa", afirma Codazzi.

O sentido de "conversa" foi ainda mais ampliado quando a direção do asilo que recebe as cartas começou a promover oficinas para que os idosos responderem aos seus mensageiros. Seu Antônio, um dos idosos do asilo, certa vez se chateou ao receber mais um envelope do escritor. "Já recebi um monte de cartas, mas não respondi nenhuma. Vão achar que sou mal educado".

LIBERTE-AS.

Na exposição, também estão painéis de poesias do livro "Cartas Perdidas de um Aviador de Papel" e trechos de crônicas do escritor, que voaram das páginas para o leitor.

A ideia de trabalhar com a troca de cartas surgiu através de um blog em que Guilhermo compartilhava suas crônicas. Quando decidiu lançar sua primeira obra, intitulada "Cartas Perdidas em um Mar de Palavras", não quis que seus escritos ficassem presos às páginas de seu livro. "Ao invés de usar a tecnologia, queria chamar atenção para uma comunicação menos superficial. Queria usar as cartas para refletir se dedicamos tempo para o outro, ou não", explica Codazzi..

 

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