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Episódio de censura na Bienal mostra força para resistência da comunidade LGBT e aliados

Thais Perez @_thaisperez | @_thaisperez

O Billy Kaplan, o Wiccano, da personagem da Marvel, sofria bullying na escola em que frequentava por ser gay. Ao tentar se defender da violência que sofria todos os dias, o adolescente manifestou pela primeira vez seus poderes. Com eles, o personagem luta contra o mal e tenta descobrir o paradeiro de sua mãe, a heroína Feiticeira Escarlate.

Como se tivesse os mesmos poderes de Wiccano, a comunidade LGBT e seus aliados se juntaram contra a tentativa de censura da história "A Cruzada das Crianças", em que Billy é protagonista. A obra estava à venda na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que aconteceu durante este final de semana, mas foi considerada imprópria pelo prefeito Marcelo Crivella (PRB).

No quadrinho, Billy e seu namorado protagonizam um único beijo. A cena é seguida de um pedido de casamento, sem qualquer cena pornográfica. A ordem de recolhimento de "A Cruzada das Crianças" da Bienal foi barrada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e por uma ação do YouTuber Felipe Neto.

Em poucas horas, livros tachados como impróprios esgotaram na feira. Editoras que possuem livros com a temática LGBT disponibilizaram seus catálogos gratuitamente pela internet. Na decisão, o ministro Toffoli afirmou que a tentativa de recolhimento dos livros estaria "ferindo, a um só tempo, a estrita legalidade e o princípio da igualdade".

O ministro ainda lembrou a decisão do STF, em 2011, que reconheceu o direito à união civil para casais formados por pessoas do mesmo sexo. João Doria (PSDB), governador do Estado de São Paulo, considerou que a ação foi "exagerada", afirmando que nenhuma feira do livro deve ter limitação. Na mesma semana, Doria recolheu apostilas didáticas que teriam conteúdo sobre "ideologia de gênero".

Em 2014, um caso parecido aconteceu em Taubaté, quando a Câmara de Taubaté barrou livros didáticos que foram considerados impróprios por terem "alusão ao diabo".

REPRESENTATIVIDADE.

O joseense Fernando Vital, que é homossexual, sempre encontrou refúgio nos quadrinhos da Marvel, onde encontrou representatividade. A editora, que é responsável pelo quadrinho quase censurado, também faz histórias são alegorias à luta de minorias, como os negros. "Se as autoridades não querem ver um beijo entre homens em uma página de quadrinhos, vão continuar vendo na realidade. A gente sempre esteve aqui e vamos continuar aqui", disse Vital.

Vencedora do Prêmio Jabuti por sua obra "Amora", a escritora Natália Borges, que é lésbica, afirma que vê preconceito no discurso de Crivella. "Precisamos falar sobre esses assuntos. Gostaria de ver essa força de resistência sempre", disse a escritora.

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