De olho nas eleições municipais, 'órfãos' de Bolsonaro mudam estratégia no Vale

Como o Aliança pelo Brasil, partido proposto pelo presidente, não conseguiu validar as assinaturas a tempo, bolsonaristas da região precisaram mudar os planos para a eleição

Julio Codazzi @juliocodazzi | @jornalovale

Como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores não conseguiram validar as assinaturas necessárias para fundar o Aliança Pelo Brasil a tempo de disputar as eleições municipais deste ano, os políticos bolsonaristas da região tiveram que alterar a estratégia para o pleito.

Cada grupo adotou uma tática diferente. Teve quem desistiu de participar das eleições. Teve quem migrou para outro partido. E teve quem permaneceu no PSL, legenda pela qual Bolsonaro foi eleito presidente, em 2018, e na qual permaneceu até novembro de 2019.

Em São José dos Campos, por exemplo, o grupo ligado à deputada estadual Leticia Aguiar decidiu permanecer no PSL, até para preservar o mandato da parlamentar. Leticia é pré-candidata a prefeita. "Por que não saímos do partido? Porque o partido nos dá autonomia, não interfere em nossas decisões. Se a gente saísse, a gente iria para onde? Não havia outro partido. Não se monta um partido da noite para o dia. O próprio Bolsonaro, no lançamento do Aliança, não deu garantia de que ficaria pronto [para a eleição de 2020]", justificou o presidente do PSL de São José dos Campos, Anderson Senna.

Em Taubaté, estratégias diferentes foram adotadas. O ex-vereador Noilton Ramos, que teve seu mandato cassado em 2018 por infidelidade partidária após trocar o Cidadania pelo PSL, já deixou a legenda. Para 2020, será candidato a vereador pelo PP. "Cenário político nacional mudou muito. Avaliei as possibilidades, nada estava favorável e diante das circunstâncias atuais me filiei no Progressista", afirmou.

Ex-presidente do PSL na cidade, Jamila Coimbra também será candidata a vereadora, mas pelo Podemos. Outro ex-presidente municipal da legenda, Éden Freire disse que o grupo que apoiava o Aliança na cidade "não irá lançar candidato a prefeito" por outro partido. "Devemos somente lançar candidatos a vereadores que, caso eleitos, migrarão para o Aliança quando for regularizado pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral]".

Já o PSL de Taubaté acabou nas mãos de assessores que integram o governo Ortiz Junior (PSDB). Na janela partidária desse ano, a legenda até recebeu um vereador da base aliada, Dentinho, que era do PV. A tendência é que a sigla seja usada para apoiar o candidato do governo à sucessão de Ortiz.

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