Ortiz vê Taubaté bem preparada: 'Hora de ultrapassar diferenças'

Prefeito afirma que município soube se preparar durante quarentena e vê falas de Jair Bolsonaro como maior obstáculo contra isolamento; tucano pediu orientação ao Ministério Público para tentar flexibilizar medidas

Caíque [email protected] | @jornalovale

O prefeito de Taubaté, Ortiz Junior (PSDB), acredita que a cidade se preparou de maneira adequada com leitos e respiradores para combater a pandemia causada pelo novo coronavírus. O tucano, que vê as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como principais obstáculos contra o isolamento, crê que a flexibilização da quarentena deve acontecer de maneira regional, e que o momento é de ultrapassar diferenças "políticas, ideológicas e partidárias."

Taubaté está pronta para a pandemia?

O período da quarentena nos deu a possibilidade de nos prepararmos para a pandemia. Antecipamos a inauguração da ala nova do Hospital Universitário, mais 30 leitos de clínica médica e 10 de UTI; transformarmos uma ala que lá já existia em ala exclusiva do coronavírus, são 16 leitos; e a partir do próximo domingo a UPA Central será nosso hospital de campanha, são mais 50 leitos. São também 40 leitos de UTI no Regional e a possibilidade de abrir mais 20 no Hospital São Lucas. Temos uma retaguarda importante de leitos de clínica médica e de leitos de UTI. Só na rede pública temos 90 respiradores, sem contar os leitos do Regional e o Estado se comprometeu a partir do momento que essa curva atingir seu pico, abrir mais 50 leitos neste hospital. Neste momento a gente tem a retaguarda necessária pra enfrentar o pico da pandemia.

Principal obstáculo pra isolamento?

O obstáculo principal é o conflito entre a presidência da República e as medidas adotadas em estados e municípios. Ele tem dito reiteradamente desde março que o Covid-19 é uma gripe de menor importância. Isso gerou um efeito, uma descrença em certa parte da população, na gravidade do problema. O problema é grave. O município se preparou para enfrentar, mas ele é muito grave. Existe uma taxa de letalidade alta, um contágio muito fácil, muito rápido, e esse enfrentamento que o município vem fazendo é um pouco prejudicado em razão desse conflito que acontece, uma forma de enxergar que o governo federal adota nos últimos dias de tratar a crise como algo de menor importância.

Flexibilização da quarentena?

Entendemos que havia espaço para uma pequena flexibilização. Por exemplo não tem sentido loja de automóvel, ou lava-jato, não poder funcionar. Algumas atividades econômicas, similares a outras, estão aberta e funcionando, e não acarretam aglomeração. Conversamos com o Ministério Público e disseram que há uma recomendação da Procuradoria-Geral da Justiça de que vale o decreto do Estado e que os municípios não podem flexibilizar, vale pro estado todo. Falei com o Felicio (Ramuth, do PSDB, prefeito de São José) que não iriamos fazer a flexibilização em razão dessa recomendação, e ele disse que tentaria fazer porque não havia ainda uma manifestação do MP local. Entendo que agora vigora o decreto, há uma posição já firmada pelo Tribunal de Justiça na questão de São José, mesmo o recurso contra a decisão em primeira instância já foi negado. Entendo que não resta outro caminho a não ser aguardar dia 11, e aí sim fazer uma flexibilização programada com o Estado.

Decisão de cada cidade cidade?

A flexibilização tem que acontecer regionalmente. Não tem sentido Taubaté fazer e Pindamonhangaba não, ou o contrário. Senão a gente vai ter uma migração das pessoas de cidades vizinhas para cidades que flexibilizarem. Acho que a juíza [que suspendeu o decreto em São José] acerta quando diz que a flexibilização tem que ser regional. Acho que o pensamento tem que ser coletivo, é uma ação que o Codivap vem fazendo, criando um comitê para discutir essa flexibilização de quais comércios poderiam funcionar a partir do dia 12 e quais regras teriam que seguir.

Contato com o Estado

O Codivap tem falado coletivamente com a secretaria [de Desenvolvimento Regional], com o vice [governador, Rodrigo Garcia], com o governador [João Doria, também do PSDB], e também com o comitê de contingenciamento do governo do Estado, presidido pelo Dr. David Uip. O Estado mantém a posição de que o pico da doença ainda está para acontecer em maio, e devemos ter até o final dessa quarentena, dia 11, 3.000 mortes só no estado. Por isso a preocupação em manter as medidas.

Enfrentamento pode afetar em eleição?

O mau enfrentamento sim. Um prefeito com uma postura irresponsável, que não acredita na gravidade do problema, que não toma as medidas necessárias pra retaguarda necessária, com medidas administrativas que colidam com a gravidade apontada pelo próprio Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde, acho que medidas como essas levariam um prefeito a condutas irresponsáveis e acho que a população faria um juízo critico. Combater o problema e enfrentar é obrigação de qualquer gestor público. Acho que a população vê essa forma, a obrigação foi feita e as cidades da região hoje têm feito enfrentamento necessário. Acho que não é momento nenhum de falar em eleição, nem se sabe se vai ter eleição em outubro, mas, sem dúvida nenhuma é momento de ultrapassar diferenças políticas, ideológicas, partidárias, e todo mundo pensar em como a cidade vai se recuperar desse grave problema, que foram 30 dias de quarentena. Como a economia vai se recuperar, como a cidade vai continuar enfrentando... Porque o vírus não vai desaparecer. O dia que flexibilizar, o vírus continua circulando e a pandemia continua fazendo vítimas. O ideal é flexibilizar tomando medidas de segurança necessárias para preservar a população. O foco é esse, quem faz o contrário disso pode ter um prejuízo em um julgamento mais crítico na eleição.

Fake News na pandemia

Um vírus tão grave quanto o Covid-19 são as fake news. Elas levam as pessoas a cometerem erros e podem gerar consequências mais graves. Papel da imprensa tem sido irrepreensível nesse aspecto, dando as notícias certas, tem checado a informação verdadeira, noticiado em cada localidade e cidade as decisões administrativas tomadas, e hoje as pessoas têm procurado veículos de comunicação, a imprensa séria, para obter informações. Acho que fake news é de uma grave irresponsabilidade em um momento tão crítico e perigoso como estamos vivendo. Eu mesmo recebo muita notícia falsa, procuro combater pelo site da prefeitura, pelas redes sociais, ou até recomendando uma leitura da imprensa mais séria.

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