Decretos de flexibilização desafiam fase mais letal da Covid na RMVale

Em julho, Vale do Paraíba tem 51% do total de casos e 50% das mortes por Covid-19 da região, com mais de 300 novos casos e 10 óbitos por dia; São José e Taubaté terão maior flexibilização

A 'rebelião' de prefeitos da RMVale a favor de maiores medidas de flexibilização da quarentena desafia o pior período do novo coronavírus no Vale do Paraíba, que avança sem sinal de trégua. Em julho, a RMVale diagnosticou 51% do total de casos positivos de Covid-19 desde que foram detectados os três primeiros, em março.

A região acumula 14,3 mil casos da doença, com mais de 7.200 deles em julho. Os meses anteriores registraram 4.835 (junho), 1.672 (maio), 530 (abril) e 42 (março). O mesmo ocorre com as mortes, com 494 óbitos desde o registro do primeiro, em 26 de março. Metade delas ocorreu em julho (248). Os demais meses têm 157 (junho), 58 (maio), 28 (abril) e 3 (março).

A média de casos diários de Covid-19 dá ideia da velocidade de propagação da doença em julho, o que levou a RMVale a permanecer na fase laranja do Plano São Paulo, do governo do Estado, barrando novas flexibilizações.

No entanto, o Codivap (Associação dos Municípios do Vale do Paraíba), e prefeitos como Felicio Ramuth (São José dos Campos) e Ortiz Junior (Taubaté), ambos do PSDB, apontaram um suposto "erro grotesco" na notificação de casos. Com isso, anunciaram por conta própria e sem aval do governo estadual que passarão os municípios para a fase amarela do plano de flexibilização, que permite, entre outros, reaberturas parciais de bares, restaurantes, academias e salões de beleza -- eles apontam erro sistema responsável pela notificação de casos, que teria registrado ao menos 1.131 casos em excesso na região. O governo estadual descartou erros nos dados citados e pediu 'cautela' aos prefeitos.

A Justiça já determinou que o Estado e a prefeitura de São José se manifestem oficialmente a respeito.

CASOS. 

A doença começou com uma média de quatro novos casos por dia em março, passando para 18 em abril, 54 em maio e 161 em junho, para praticamente dobrar em julho, atingindo 302 novos casos diários --com recorde de 817 diagnósticos positivos em um único dia, em 22 de julho.

Professor da FEAU (Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo) da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), Paulo Barja vê um comportamento de "segunda onda" nos números crescentes da doença.

"Percebemos que houve período crítico na segunda metade de maio. Só que, quando reabriu no começo de junho, a situação não estava resolvida. E teve o refluxo, a segunda onda. Aconteceu nos EUA e estamos vendo aparecer aqui."

Para ele, seria temerário ampliar a flexibilização: "Impensável".

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