Explosão de casos pressiona rede de saúde e deixa RMVale em alerta

Vale do Paraíba tem mais casos confirmados de Covid-19 em junho do que nos meses anteriores; crescimento exponencial vira ameaça a capacidade do sistema de saúde

Xandu [email protected] | @jornalovale

Explodiu.

A combinação de relaxamento do isolamento e reabertura econômica culminou num aumento exponencial dos casos confirmados e de mortes por Covid-19 no Vale do Paraíba.

O cenário pressiona o sistema de saúde e mobiliza prefeitos a encontrarem soluções emergenciais para conter a disseminação do vírus.

O sinal amarelo foi aceso e periga chegar ao vermelho.

Apenas em junho, a região alcançou mais de 4.000 diagnósticos positivos para a Covid-19, bem acima do número de pessoas infectadas até 31 de maio --2.244 casos.

O Vale vinha com média de 30 novos casos diários até o final de maio, quando houve a reabertura comercial ao lado de queda no isolamento.

Em junho, a média de novos casos diários saltou para 154, e segue crescendo.

O número de mortes também segue acelerado. Em junho, a região acumula 135 mortes em decorrência da Covid-19, contra 89 até 31 de maio. No total, a região tem mais de 6.240 pessoas infectadas pelo coronavírus e 224 mortes.

"Nenhuma região está livre do risco da doença. Nenhuma pessoa está livre do risco da contaminação. Estamos em quarentena e quem puder deve ficar em casa, e todos torcendo pela vacina", disse o governador João Doria (PSDB).

Na sexta, ele anunciou que a RMVale foi mantida na fase laranja do Plano São Paulo e não terá ampliação da reabertura econômica em julho, ao menos até a metade do mês.

"O cenário se concretizando, com a capital avançando e o interior com aceleração da pandemia. Nenhuma região regrediu por causa da capacidade hospitalar. O que impactou no interior foi a evolução de casos", afirmou o secretário estadual de Desenvolvimento regional, Marco Vinholi.

Na última semana, o Vale bateu novos recordes de casos diários, com mais de 1.200 em apenas cinco dias.

O Vale vem superando todos os recordes negativos da doença em junho, mês com crescimento acelerado no número de doentes.

Também foram necessários cinco dias para a região passar de 4.000 para 5.000 casos confirmados. Já a barreira de 1.000 doentes precisou de 24 dias para ser ultrapassada, prazo que caiu para 16 dias nos 2.000 casos, 11 dias para 3.000 e oito para 4.000.

Se mantiver o mesmo ritmo, a região pode entrar em julho com mais de 7.000 casos confirmados de Covid-19.

HOSPITAIS.

O crescimento ameaça a capacidade do sistema de saúde de suportar a quantidade de doentes graves, que precisam de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Atualmente, segundo o Estado, a média de ocupação de leitos de UTI é de 52% no Vale, com taxa de 13,9 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes. Ambos os indicadores foram considerados positivos pelo governo estadual.

O que manteve o Vale na fase laranja foi o aumento de internações e de óbitos.

"Os índices da região ainda são positivos. Já a variação de internações e de óbitos é pior", disse Vinholi.

Em São José dos Campos, cidade que concentra 44% dos casos positivos da região (2.750) e 39% das mortes (87), o prefeito Felicio Ramuth (PSDB) determinou que apenas comércios e serviços essenciais abram nos finais de semana e nos feriados.

Trata-se de medida para reduzir a circulação de pessoas no município, que viu a doença aumentar em 217% os casos confirmados em junho na comparação com maio. No mesmo período, as mortes tiveram um salto de 135%.

O fechamento dos comércios não essenciais nos finais de semana vem depois de Felicio ter tentado, por via judicial, aumentar a flexibilização na cidade, o que mereceu um 'puxão de orelha' do governador na coletiva de sexta.

"Semanas atrás tivemos o prefeito de São José entrando com medidas judiciais, que não foram atendidas, para liberar o comércio. Hoje, o mesmo prefeito compreende, acertadamente, que é hora de restringir o comércio e preservar vidas", disse Doria, em resposta à pergunta de OVALE durante a coletiva em São Paulo..

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