'Covid é doença traiçoeira. Precisa levar muito a sério'

Em primeira pessoa, Wilson Cunha Junior, Gestor Médico do Grupo Sabin, professor e médico endocrinologista, conta como a família toda superou a Covid: 'Não é como gripe'

Wilson Cunha JuniorMédico |

Eu peguei a Covid-19.

Trabalho na área da saúde e minha esposa também.

Sou endocrinologista e dou plantão e lido com pacientes graves. Tenho três filhos médicos e também são intensivistas. Meu filho mais velho atende em São José dos Campos e os familiares da mulher dele moram na cidade.

Meus filhos trabalham em hospitais de grande porte, e não foi fácil. Eu, minha mulher e os dois mais velhos pegamos. Só minha filha não. Ela faz residência em Rio Preto, na Faculdade de Medicina, e atua na área da Covid.

A sorte foi que não tivemos comprometimento respiratório. Ninguém precisou internar. Tivermos a doença de leve a moderada. Eu tive dor de cabeça, febre, mal-estar, alteração de olfato e paladar, perda de apetite e dor intensa.

Não é como gripe. Comecei a melhorar depois do 13º dia e minha esposa do 14º dia. É uma situação prolongada da doença e isso exige muita atenção. Desde o dia 15 de maio voltamos a trabalhar.

Os dois filhos mais velhos também pegaram a doença, incluindo o que trabalha em São José dos Campos. Não tive contato com eles. A última vez que os vi foi no Natal.

Tem que levar a sério a doença. No mesmo dia do nosso diagnóstico, saiu o de um colega médico, e ele acabou morrendo. É uma doença traiçoeira e ninguém está livre.

Há os casos mais graves e os grupos de risco, mas temos visto pacientes fora do grupo de risco evoluir para a gravidade. É preciso tomar todos os cuidados de higiene, usar máscara e evitar aglomerações. Sabemos de gente que fez festa e reunião e metade da família adoeceu. O pior é quando a doença complica.

Estamos aprendendo com a pandemia. Meus filhos trabalham em contato com a Covid. Foi importante terem tido a doença e aprender a evolução e como é a melhora, para tomarem decisões de forma mais fácil, porque conhecem a doença e sentiram na pele. É melhor para abordar.

Há muita gente perdendo familiares. Não é fácil o isolamento, mas vale a pena. Não participei de nenhuma festa e tomo todos os cuidados. Uso máscara até dentro de casa. A doença não escolhe.n

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 23 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.