'Epidemia é assustadora e ficamos com muito medo de sair de casa'

Em primeira pessoa, a jornalista e administradora escolar joseense Angela Mendonça, 47 anos, conta como passou pelo pior da epidemia morando com o marido e dois filhos em Florianópolis (SC), que adotou isolamento radical

Angela MendonçaJornalista e administradora |

Florianópolis (SC) foi muito radical no combate ao coronavírus. No dia 17 de março, o prefeito suspendeu o transporte, aulas, comércio. A cidade toda praticamente parou.

Também parou o transporte que vinha para a cidade, de municípios ao redor. Os voos levaram uns 10 dias para parar. De cerca de 70 voos por dia, caiu para menos de 10.

Só funcionavam supermercados e farmácias. Os funcionários da saúde tiveram benefícios, como desconto com motoristas de aplicativo.

Foi tudo muito surpreendente no começo. A gente não tinha nenhum parâmetro, não passamos por isso. Foi assustador e ficamos com muito medo de sair de casa e nos contaminar. Ou contaminar alguém da minha casa. Somos quatro adultos. Três trabalham e minha filha cursa a universidade. Ficamos todos em casa.

Tivemos que ter controle para ir ao supermercado e cuidados rigorosos com a higiene. Ninguém adoeceu na minha casa e não conheço alguém próximo que tenha adoecido.

Não teve pico de casos aqui.

Já na primeira semana de suspensão, o governo anunciou testes em massa para controlar no início. Todo mundo que estava na fila como suspeito foi testado. Essas estratégias funcionaram.

A prefeitura também lançou várias campanhas de conscientização, como uso de máscara, distanciamento, isso desde o primeiro momento. Outras cidades tomaram essas medidas bem depois.

Mas fiquei muito preocupada com a minha família, que está toda em São José dos Campos. Meus pais e os cinco irmãos ficaram em isolamento. Uma irmã que trabalha no comércio me disse que a loja estava cheia nesta semana. Ainda não há doentes na família. Com 74 e 68 anos, os meus pais ficaram isolados.

Aqui em Florianópolis, o prefeito tomou a dianteira.

Muitas medidas batiam com as do governo do estado, mas muita coisa foi mais radical. O prefeito dizia que sabia que eram medidas impopulares.

O comércio pressionou para voltar mais cedo, mas a cidade não cedeu.

Acho que por isso Florianópolis tem números bons. Até 4 de junho, eram 872 casos e apenas sete mortes. Estamos há mais de 30 dias sem nenhum morto por Covid-19.

A ocupação de UTI é de 1%. A cidade tem 500 mil habitantes.

Em maio, começou a abrir alguns comércios, com restrições e regras. O transporte público só deve voltar em 18 de junho. Todos os funcionários serão testados. Esse posicionamento fez toda a diferença.n

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