No 'pior momento', Estado prorroga a quarentena em SP

Não haverá flexibilização das regras de isolamento até 31 de maio e apenas serviços essenciais seguem com permissão para abrir

Da redaçã[email protected] | @jornalovale

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), prorrogou a quarentena contra o novo coronavírus até 31 de maio, em todo o estado. Apenas serviços essenciais podem funcionar.

É a terceira ampliação do prazo desde o início da quarentena, em 23 de março. A primeira fase foi até 7 de abril, e depois foi prorrogada para 22 de abril e 10 de maio.

Segundo ele, o estado vive o "pior momento" da pandemia e não há condições que permitam flexibilização, com reabertura do comércio.

"Gostaria de dar um recado diferente, mas o cenário é desolador. Teremos que prorrogar a quarentena até 31 de maio", disse o governador.

"Nenhum país do mundo conseguiu relaxar as medidas de isolamento social com a curva de contaminação em alta. Infelizmente, nas últimas semanas, houve um desrespeito à quarentena e o número de casos aumentou."

O tucano disse ainda que não está totalmente descartada a chance de adotar um lockdown (fechamento total) em cidades do estado, embora não esteja previsto.

"Não há nenhum protocolo iminente, mas não está descartado. Vai depender das pessoas seguirem o isolamento e usarem máscaras constantemente. O pior cenário é o que alia mortes e recessão. Adotar a quarentena não é uma tarefa fácil. Mas trata-se de proteger vidas no momento mais difícil e crítico da história deste país."

Segundo Doria, a prorrogação da quarentena obedece a critérios médicos e não foi pautada por questões políticas. Ele ressaltou que o isolamento será capaz de poupar 3.346 vidas até 21 de maio.

"São vários os estudos que mostram como a quarentena evita a difusão da doença. A medicina e as pessoas de bem do Brasil sabem disso."

Segundo o médico Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e coordenador interino do Centro de Contingência ao Coronavírus, o isolamento social poupou mais de 40 mil vidas desde o início da quarentena.INTERIOR.

O crescimento da doença no interior do estado foi um dos motivos para a prorrogação. Em abril, os casos aumentaram mais de 3.000% no interior, enquanto subiram 700% na Grande São Paulo, epicentro da doença no país.

Também a queda no isolamento social impactou a medida. No estado, a média caiu para 47% --46% em Taubaté e 47% em São José dos Campos. O mínimo é 55%.

"Estamos todos atravessando o pior momento desta pandemia. Só não reconhece quem está cego pelo ódio ou pela ambição pessoal", disse Doria.

Segundo Covas, um possível relaxamento da quarentena se basearia na combinação de redução do número de casos e taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) inferior a 60%.

"Quanto mais alta a taxa de isolamento, mais rapidamente atingiremos esses dois índices", disse o diretor, que apontou a necessidade de a taxa mínima de isolamento subir de 50% para 55%.

"Se não conseguirmos isso nós teremos problemas para o atendimento dos pacientes", complementou o secretário de Estado de Saúde, José Henrique Germann.

Ao anunciar a prorrogação do isolamento, o governo informou que projeta entre 90 mil e 100 mil os casos confirmados de Covid-19 até 31 de maio no estado. Isso representa mais que o dobro dos 41.830 casos até sexta (8).

Em relação às mortes, a previsão é que o estado registre, no fim do mês, algo entre 9 mil e 11 mil óbitos. Até esta sexta, são 3.416 mortes registradas. As projeções levam em conta a adoção de uma taxa mínima de isolamento de 55%.

Presidente do Codivap, Izaias critica quarentena e cobra dados: 'Frustração'

Prefeito de Jacareí e presidente do Codivap (Associação de Municípios do Vale do Paraíba), Izaias Santana (PSDB) criticou a prorrogação da quarentena. "A frustração é tratar a capital e todo o interior com as mesmas perspectivas. Essas normas que impõe sacrifício só são levadas a sério se a população acredita nelas". Izaias disse que a região "insiste para que os dados sejam regionalizados e compartilhados pelo governo". Em São José, o prefeito Felicio Ramuth (PSDB) declarou que entrará com novo recurso no STF (Supremo Tribunal Federal) para flexibilizar o isolamento social no município e definir regras para reabertura do comércio.

São José integra Conselho Municipalista contra vírus

O prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB), irá integrar um conselho municipalista formado pelo governo do Estado de São Paulo contra o novo coronavírus.

A criação do grupo foi anunciada na tarde desta sexta-feira (8), em coletiva com o governador João Doria (PSDB).

Além de Felicio, participarão 14 prefeitos de cidades-sede de região administrativa, como Campinas, Araraquara e São José do Rio Preto, e mais o prefeito da capital, Bruno Covas (SP).

Ao todo, serão 16 os mandatários no Conselho Municipalista, que terá reuniões regulares com membros do governo estadual sobre a pandemia.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, o conselho deve se reunir semanalmente para discutir as medidas de enfrentamento ao vírus, que tem crescido no interior do estado. O objetivo é ampliar o diálogo e pactuação das ações.

"Com o conselho, isso se fortalece [divisão de recursos] e faz com que a velocidade das informações e seja mais rápida, além da representatividade que esses 16 prefeitos terão com outros municípios. Deve acelerar medidas a partir de agora", disse Doria.

Na contramão das ações estaduais, o governo Felicio Ramuth chegou a ir à Justiça para solicitar a reabertura dos comércios no município a partir de 27 de abril. O pedido foi negado em todas as instâncias.

Segundo Vinholi, uma das missões do conselho será assegurar que as medidas de isolamento sejam homogêneas em todo o estado. O governo prevê que até o final de maio todas as cidades paulistas tenham casos confirmados de coronavírus --381 das 645 cidades têm casos.

DIÁLOGO.

O secretário de Desenvolvimento Regional disse que a meta será ampliar o diálogo com os municípios e regiões do interior e fazer com que as ações sejam "consorciadas, agregadas e regionalizadas e que possamos superar o período mais duro".

Membro do Conselho Municipalista, o secretário de Estado da Fazenda e Planejamento, Henrique Meirelles, destacou que não é o isolamento que está causando a crise na economia. "O que afeta é a pandemia, não as medidas para combater a pandemia. Experiências de outros países mostram que a atividade econômica retorna depois que se passa o pico. Quarentena visa combater a contaminação".

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