Contágio do Covid-19 avança e cresce em direção ao Vale, segundo estudo da Unesp

Zona quente da disseminação do vírus alcança região e São José, que tem 40% dos casos da RMVale; mapa mostra expansão para a região

Xandu [email protected] | @jornalovale

A mancha vermelha se aproxima perigosamente do Vale do Paraíba.

O mapa (veja abaixo) feito por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) mostra a expansão dos casos confirmados do novo coronavírus para fora da Região Metropolitana de São Paulo, epicentro da Covid-19 no país.

As áreas em vermelho e laranja mostram a expansão da doença nos municípios próximos à capital, como é o caso de São José dos Campos, que está na principal rota de disseminação da doença pela Via Dutra.

O estudo aponta a proporção de casos confirmados em porções de 100 mil habitantes, ou seja, um caso a cada grupo de 100 mil moradores, classificando as áreas de muito alto, alto, médio, baixo e muito baixo.

A classificação segue a graduação de cores, indo do vermelho ao amarelo mais claro.

Os dados são de 25 de abril, os mais atualizados pelos pesquisadores.

Essa "zona quente" que se aproxima do Vale estava ainda distante da região em 9 de abril, quando a Unesp produziu o primeiro mapa das rotas de expansão da doença.

Naquela ocasião, a região e São José foram incluídos em uma das duas principais rotas de contágio da doença, pela proximidade territorial com a Grande São Paulo e a passagem da Via Dutra, um dos meios de disseminação do vírus pelo interior do estado.

De lá para cá, a situação da doença na região cresceu exponencialmente, aumentando em 376% o número de casos confirmados, de 120 (9 de abril) para 572 (1º de maio).

No mesmo período, o número de infectados em São José passou de 78 (8 de abril) para 231 (1º de maio), salto de 196%.

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RISCO.

A expansão da "zona quente" também aponta para outras duas regiões do estado, Campinas e Sorocaba, confirmando o estudo da Unesp que apontava, no início de abril, que o interior estava três semanas "atrasado" em relação à Grande São Paulo para o número de casos confirmados.

Combinado com a queda na taxa de isolamento no estado e em São José, ambos com 47% na quarta-feira (28), o aumento dos casos acendeu o sinal de alerta no governo estadual, que já admite a possibilidade de prorrogar a quarentena.

"Nossa referência é a área da saúde. Numa taxa de 48% de isolamento não há a menor condição de flexibilização do isolamento, por causa dos riscos de colapso no atendimento público", disse o governador João Doria.

"Temos que orientar e pedir às pessoas que, se querem sair do isolamento, colaborem para isso e fiquem em casa. Nada será feito no estado, e mesmo fora da capital, sem a prévia e expressa recomendação da área da saúde", completou o governador.

'Região está na rota do vírus', diz pesquisador

Professor do Departamento de Geografia e coordenador do Laboratório de Biogeografia e Geografia da Saúde da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente, Raul Borges Guimarães disse que há clara tendência de "difusão espacial da Covid-19" em municípios fora da área metropolitana de São Paulo, "especialmente em direção ao Vale do Paraíba".

Nesse contexto, São José dos Campos é a "principal cidade em número de casos e com potencial de disseminação para municípios vizinhos".

Segundo ele, relaxar o isolamento no atual momento da epidemia por aumentar o número de casos e trazer problemas para o sistema de saúde.

"Entendo as demandas econômicas e a necessidade de encontrar alternativas para a flexibilização do isolamento social, mas medidas virão num período no qual a cidade de São Paulo apresenta limite de capacidade de internação e aumento no número de óbitos", disse Guimarães. "São José é o epicentro da doença no Vale do Paraíba".

"Especialistas da infectologia e da epidemiologia consideram que esse monitoramento [num eventual relaxamento da quarentena] deve ser muito rigoroso, o que é muito difícil nesse momento."

INTERIOR.

A menção de Guimarães à capital não é gratuita. O governo estadual confirmou o envio de doentes graves para o interior, por causa da alta ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na capital.

"A partir deste final de semana, passamos a utilizar os leitos do interior para o tratamento de pacientes aqui da Grande São Paulo", disse o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann.

Segundo ele, o Estado é capaz de mandar pacientes para municípios distantes até 400 quilômetros da capital, mas ressaltou que os doentes devem ser levados para municípios próximos, como para Sorocaba e São José.

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