Sobreviventes: relatos de moradores da região que superaram o vírus

Curados da Covid-19, profissionais do Vale contam a angústia de passar pela UTI e do medo da morte; "Foi angustiante", diz Carla Pereira, esposa de um médico de Caraguatatuba

Xandu [email protected] |

Ivany Machado de Carvalho Baptista, 55 anos, coordenadora do curso de Enfermagem da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), passou por uma experiência traumática há menos de um mês.

Ela foi diagnosticada com a Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, após apresentar sintomas como febre, tosse e dor no corpo. "Sou pessoa saudável, ativa, não tenho comorbidade e imaginava que fosse superar rapidamente, mas infelizmente não aconteceu", conta.

Enfermeira do Coren (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) e membro do Conselho Municipal de Saúde de São José dos Campos e de Taubaté, ela tem experiência no ambiente hospitalar e sabia da gravidade do caso.

"Acomete pulmões e não se consegue combater. Não era do grupo de risco. Não teria motivo para agravar. O coronavírus é mais arrastado [que a H1N1], e vai intensificando e debilitando".

O medo dela era de ter que ir para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), na dependência de equipamentos. "É grave a doença. Contraindo o vírus não sabe o que vai acontecer. Quem passa se abala muito, ainda mais sendo profissional de saúde. Eu fiquei abalada. Se fosse indicado UTI e ventilação, teria 50% de chance", diz Ivany, hoje em processo de cura da doença.

"É importante dizer que se tomarmos todas as medidas de isolamento e de higiene a gente consegue se recuperar, além de tomar as medidas que os médicos indicam."

"Tive medo de morrer". Assim definiu o médico pediatra Romário Miranda Pacheco Filho, 47 anos, de Caraguatatuba, que teve alta do hospital após ficar três dias na UTI, por conta do coronavírus.

Agora em casa, cumpre quarentena e está isolado em um quarto e sem contato direto com a esposa e os dois filhos.

"Minha respiração respondeu bem, mas foi muito angustiante. Eu estava em uma UTI específica para quem tinha coronavírus. Eram cinco pessoas ao meu lado. A gente fica com medo de piorar", conta ele, que já perdeu 10 quilos.

Ele ressalta a gravidade da doença. "Não é uma 'gripezinha'. É um negócio muito pesado. Outras pessoas podem não aguentar".

'Sinto grande transformação na minha vida após a doença', diz médico de São José

O médico infectologista Joper Fonseca Júnior ficou oito dias internado com diagnóstico de Covid-19. Em casa, se recuperando, ele disse que a epidemia deve ser levada a sério e acredita que a experiência o transformou. "Temos que ter muita preocupação, mas há esperança. Sinto uma grande transformação após passar pela doença". O médico, que trabalha na rede pública e privada de São José, fez o exame cinco dias após sentir os sintomas, como dores pelo corpo. "O estado em que estava me sentindo, cada vez pior, do ponto de vista de disposição, com dores pelo corpo insuportáveis, articular, abdominal, mais até do que falta de ar". Ele disse que quem menospreza a doença não demonstra preocupação por si mesmo e nem pelos outros. "Levem a sério".

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 13 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.