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Natividade, Redenção e a saudade represada na serra

Documento OVALE conta a luta de duas cidades da região para continuar existindo: primeiro como povoado de fato, e, depois, como memória histórica

As cidades da saudade.

A história deste Documento OVALE é a da luta de duas cidades do Vale do Paraíba para continuar existindo. Primeiro como povoado de fato, geograficamente falando. Depois, como memória histórica.

Nelas, guerreia-se para não perder o passado, tão vivo na lembrança dos mais velhos e que vai sumindo entre os mais jovens. Mas não é só memorialística.

É manter viva a chama que pariu dois povoados condenados a sucumbir aos desejos governamentais, em plena época da Ditadura Militar.

Ambos entrelaçados por uma massa tão grandiosa de água que se tornou parte indissociável da vida deles.

Para o bem e o mal.

Ao lado do imenso reservatório de Paraibuna, a 'caixa d'água' do Vale do Paraíba, as pequenas Natividade da Serra (6.681 habitantes) e Redenção da Serra (3.863) tiveram suas histórias marcadas pelo surgimento da represa, no começo da década de 1970.

Para que nascesse o reservatório, os municípios tiveram que morrer e ressurgir diferentes. Parte da vida cultural, do jeito de viver, ficou nos escombros no fundo da represa. Sobrou a luta por existir.

"O governo já tinha tirado as duas cidades do mapa", lembra Maria Helena Ribeiro, a Leninha, 66 anos, principal guardiã da memória de Natividade.

Ela e outros abnegados resgatam a história das profundezas da água para valorizar a resistência do povo. Lição indispensável em nossos dias. Eles sofreram pela natividade em busca da redenção.

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