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Sindicatos prometem parar Vale contra reforma em 'greve histórica'

Mobilização começou na madrugada desta sexta com interrupção do transporte público e convocação na porta de fábricas; em São José, Taubaté e Jacareí, ao menos 30 mil trabalhadores estão sendo afetados pela greve geral

Xandu [email protected] | @xandualves10

Sindicalistas e movimentos sociais que formam o Fórum de Lutas do Vale do Paraíba esperam organizar, nesta sexta-feira, a "maior greve da história da região", superando a paralisação de 27 de abril de 2017, contra o governo Michel Temer (MDB).

Três são os alvos das manifestações: a reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL), cortes na educação e a alta taxa de desemprego no país.

Mais de 30 mil trabalhadores são afetados por paralisações na produção das principais indústrias da região, incluindo GM (General Motors), Embraer e Johnson & Johnson, em São José dos Campos, Volkswagen, Ford e LG, em Taubaté, e a Caoa Chery, em Jacareí.

Algumas fábricas podem dispensar os trabalhadores para evitar confusão, como ocorreu na greve geral de 2017, embora o advogado Reinaldo Garcia, especialista em questões sindicais da Guirão Advogados, lembre que a greve é um ato político, sem previsão legal para abono de falta. "A ausência injustificada autoriza a empresa a proceder os descontos comuns".

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ROTEIRO.

A mobilização começou na madrugada desta sexta, com a interrupção do transporte público, que deve funcionar com 30% da frota. As fábricas foram atingidas a partir das 4h, com a convocação de trabalhadores para a greve geral, que ocorrerá em todo o país.

A Polícia Militar e as policiais rodoviárias Estadual e Federal estarão de prontidão na região para evitar bloqueios em estradas e na porta de fábricas.

"O que não pode ocorrer são bloqueios em rodovias, estradas, em entradas de fábrica, impedindo as pessoas que não desejam participar da greve de ir ao trabalho, porque aí está cerceando o direito de ir e vir das pessoas", disse o coronel José Eduardo Stanelis, comandante do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior).

Segundo ele, a PM vai agiar para evitar interrupções ilegais. "Se isso não ocorre, a PM fica observando a greve de forma preventiva. Se não houver quebra dessa ordem, a polícia só observa e faz a segurança de grevistas e de quem não deseja aderir".

Contra Previdência de Bolsonaro, greve quer conquistar povo

A orientação dos sindicalistas para a população do Vale do Paraíba pode ser resumida com a frase que virou slogan da greve geral: "Só saia de casa se for protestar".

O movimento espera compensar o prejuízo em serviços como transporte, bancos e comércio, que devem funcionar parcialmente, e contar com apoio da população.

"Até quem votou no Bolsonaro está insatisfeito com a reforma [da Previdência]. A ampla maioria dos trabalhadores e o povo pobre são contrários à reforma", disse Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José.

Em São José, o principal ato da manifestação será na praça Afonso Pena, no centro, a partir das 11h, como ocorreu no protesto contra os cortes na educação, em 15 de maio.

"O governo está perdido, sem a confiança do mercado. Não há investimento em produção e a reforma é prejudicial aos trabalhadores", afirmou Wellington Luiz Cabral, coordenador geral do Sindicato dos Químicos de São José.

Para Renato Almeida, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, a data será histórica para a classe trabalhadora. "Estamos em luta". Segundo os sindicalistas, haverá piquetes em vários pontos de São José para convocar trabalhadores e a população.

Em Taubaté, o Sindicato dos Metalúrgicos organizará atos no centro da cidade, de manhã, e na sede da entidade, na Chácara do Visconde, às 17h. O presidente do sindicato, Cláudio Batista, lembrou que a greve é o momento de protestar contra "todas as injustiças, mas, principalmente, contra a reforma da Previdência."

ACI de São José defende reforma: "futuro do Brasil e dos brasileiros está em jogo"

Em nota, a ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos demonstrou apoio à reforma da Previdência, principal motivo da greve geral desta sexta-feira. A postura colide com os protestos organizados por sindicalistas e movimentos.

Segundo a entidade, a reforma se presta a "adequar a Previdência Social ao novo perfil da população brasileira, garantindo o equilíbrio das contas do sistema e assegurando o pagamento de aposentadorias e pensões a milhões de trabalhadores brasileiros. Trata-se de uma medida dura, mas necessária".

Em outro trecho, a ACI aponta que o "futuro do Brasil e dos brasileiros está em jogo" e reforça o apoio à proposta do governo: "Reforma Já. Junte-se a nós nessa jornada".

Segundo PM, bloqueios em estradas e fábricas durante a greve serão coibidos

A orientação aos policiais militares é de acompanhar as manifestações e de só intervir caso ocorra "quebra da ordem pública". A corporação informou que serão coibidos bloqueios em rodovias e na entrada de fábricas que impeçam "pessoas que não desejam participar da greve de ir ao trabalho". Atitude semelhante adotarão as polícias rodoviárias Estadual e Federal nas rodovias.