Especial

'Estamos fechando as negociações para retomar as obras', diz secretário sobre a Tamoios

Da Redação
21/04/2021 às 00:00.
Atualizado em 24/07/2021 às 02:30
Secretário estadual de Logística e Transportes (Vitor Fracchetta/OVALE)

Secretário estadual de Logística e Transportes (Vitor Fracchetta/OVALE)

Estado da arte.

É assim que o engenheiro civil João Octaviano Machado Neto, secretário estadual de Logística e Transportes de São Paulo, se refere à obra na serra da Rodovia dos Tamoios

Em uma entrevista exclusiva a OVALE, ele falou sobre o andamento da construção da nova pista, do atraso nos contornos e dos benefícios que a nova estrada trará para a região e o estado. Confira.

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Qual estágio da obra de duplicação da serra da Tamoios?

A principal obra que é o trecho de serra da Tamoios está a todo vapor, não parou em instante nenhum durante toda a pandemia e está com performance boa, dentro do cronograma, tudo apontado para o primeiro semestre de 2022. Tem o maior túnel do Brasil, trechos com tecnologia sofisticada de construção, como o teleférico de carga, para levar equipamentos. Foi o estado da arte do que tem de mais sofisticado na engenharia nacional. A obra está andando muito bem, dentro do cronograma e uma boa perspectiva para o primeiro semestre de 2022.

E a construção dos contornos, que paralisou?

Estamos fechando a negociação para a retomada da obra dos contornos. Imagino que em breve tenhamos isso resolvido para anunciar a retomada e o formato dessa retomada da obra, que é importantíssima para aliviar toda essa questão da chegada à Caraguatatuba e também para alimentar o Porto de São Sebastião.

A paralisação já foi resolvida? Qual o novo cronograma?

Estamos trabalhando com a possibilidade de ter o cronograma equivalente da Tamoios na serra. A obra está bem evoluída, tem trechos prontos e há um conjunto de ações na obra que foi bem feito. Falta terminar a chegada em São Sebastião, ajustar ali na Topolândia e preservando toda aquela estrutura e a conexão com o viário de São Sebastião. São projetos que estão sendo discutidos com a prefeitura, com os engenheiros e a Petrobras. Estamos bem próximos de dar uma solução para os contornos. Hoje estamos fechando todos esses aspectos, que não são fáceis. Tem questões da própria rescisão dos contratos, que implicam em arbitragem. Não necessariamente poderemos ter uma nova licitação, poderemos ter algum outro tipo de composição.

A Tamoios é a principal obra viária do governo estadual?

Com certeza. É a obra mais sofisticada que temos em andamento. Teremos o maior túnel da América Latina, com trechos em viaduto, suspensos. E tem um papel importante. Quando estiver pronta, vai melhorar a performance do sistema, que tem uma limitação na serra que é sempre um problema. Essa nova etapa vai ser sensacional e trazer benefício enorme para todo mundo que precisa acessar o litoral.

Haverá menos interdições na estrada após as obras?

Terminar não vai, porque o trecho antigo da serra tem esse problema. Na parte nova da serra não, está resolvido. No trecho antigo teremos certa instabilidade. Há muitas obras feitas lá para melhorar, em encostas, com obras de contenção. Tem norma da Defesa Civil de quando chega a 100 milímetros há recomendação que faça a interdição da estrada. Não significa que vai escorregar tudo, é para prevenção. É uma medida muito necessária.

Obras corretivas vão continuar ocorrendo?

Isso vai acontecer. Não dá para ancorar o maciço todo. Nos locais onde há maior risco, estão feitas obras de contenção. E haverá obras de manutenção desse sistema. A Tamoios é um desafio.

E a questão ambiental?

A obra está dentro do parque, é uma reserva. A solução de túneis e viadutos é de menor impacto ambiental. Os viadutos apoiados nos pilares enormes, com toda a estrutura suspensa, são para evitar o desmatamento e o impacto maior no parque. Os túneis no maciço também geram o menor impacto possível em termos ambientais. O resultado disso é obra sofisticadíssima, que tem avanços enormes do ponto de vista da engenharia e obra que garante a sustentabilidade. Uma rodovia sustentável que vai se transformar numa rodovia carbono zero. O trecho de serra será um exemplo de rodovia para todo o Brasil.

Estado está satisfeito com a concessão da Tamoios?

É o benefício do modelo de concessão, de ter o privado atuando com a capacidade dele. O conceito da concessão e, neste caso, uma PPP, mostra a competência do privado e a responsabilidade do Estado, que não deixa faltar o recurso. O privado põe a competência para fazer a obra andar. O benefício é enorme e a obra da Tamoios orgulha todos nós.

Os contornos vão entrar na concessão?

Estamos discutindo isso. Precisamos de mais um tempo para decidir.

Após o término, qual será o impacto da nova Tamoios?

Vai pegar todo o Vale do Paraíba, trecho do Litoral Norte e terá uma conexão da melhor qualidade. Vai resolver muito a questão de carga para o Porto de São Sebastião, que cresceu muito. Isso depende de competência rodoviária, porque o porto não tem uma ferrovia que chega ali. Sem a contornos, no verão eu pego caminhão de barrilha e vai enfrentar a serra com o pessoal que está fazendo fila para ir à praia. É desumano. A contornos vai resolver muito essa questão. A carga vai direto para o porto pela contornos. Vai aumentar muito a performance do sistema. É obra da maior importância. Benefício enorme aos turistas.

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