Mortes em troca de tiros com a polcia batem recorde; bitos de agentes tambm crescem

Quantidade de mortos em confronto com a polcia no primeiro semestre de 2020, no estado, recorde desde 1996; nmero de policiais mortos cresce 75% ante 2019

Xandu Alves | @xandualves10

Bala que mata bandido também mata policial.

A polícia paulista matou 514 pessoas em confronto no primeiro semestre de 2020, a maior quantidade para o período de toda a série histórica da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), que começa em 1996.

Trata-se de alta de 20% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O segundo ano da série histórica com mais mortes em confronto, no primeiro semestre, foi 2003, com 487, e depois 2017, com 460. O primeiro semestre da gestão de João Doria (PSDB) foi o quarto com mais mortes em confronto, 426 em 2019.

Criticada por especialistas, a chamada "política de enfrentamento" do governo estadual parece que também fez aumentar a quantidade de policiais mortos, com 28 óbitos no primeiro semestre de 2020, 75% a mais do que no mesmo período de 2019, que registrou 16 óbitos de policiais.

MORTES.

Em 2020, foram quatro policiais civis mortos (dois em serviço) e 24 policiais militares mortos, metade deles durante o período de trabalho.

Na linha histórica, as 28 mortes de policiais no primeiro semestre de 2020 são o quarto pior período de seis meses desde 1996, perdendo para 1999 (38 mortes no semestre), 2017 (30) e 1998 (30).

No entanto, a comparação fica comprometida em razão de os registros a partir de 2017 contarem com dados de policiais mortos também no período de folga, o que não era compilado até 2016.

POLÍTICA.

"Não existe explicação plausível para número tão elevado de mortes [em confronto], sobretudo se levarmos em conta que foi um período [2020] marcado pela restrição da circulação [pela pandemia]", disse o sociólogo Benedito Mariano, ex-ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo.

"Em parte, isso se deve ao discurso beligerante de Jair Bolsonaro e do governador João Doria. Eles têm as suas diferenças políticas, mas ambos fazem campanha em favor de uma polícia mais repressiva e aplaudem operações que resultam em mortes."

Segundo Mariano, que não foi reconduzido ao cargo de ouvidor por decisão do governo estadual, apenas 3% dos homicídios causados por policiais são investigados pela Corregedoria. "Os demais são apurados pelos batalhões de origem dos policiais militares envolvidos nas ocorrências. Tem que ser tudo investigado pela Corregedoria", disse..

Íntegra da nota oficial da SSP

A SSP, desde o início dessa gestão, tem trabalhado para reduzir os casos de morte decorrente de intervenção policial. Tanto que julho foi o segundo mês consecutivo de queda nos casos de morte decorrente de intervenção policial militar em serviço, com redução de 25% em relação a igual mês do ano passado.

As técnicas, protocolos e procedimentos de atuação da PM são estudados e aprimorados de acordo com os indicadores criminais e inovações inseridas na área de segurança pública em todo o mundo, como as câmeras corporais utilizadas pelos policiais de São Paulo desde o início de agosto. Além de reforçar as atividades de treinamento técnico-operacional, incluindo temas como Polícia Comunitária, Direitos Humanos e Cidadania, a PM trabalha na atualização de seus protocolos de abordagem e participa de um grupo de trabalho acadêmico com outras oito instituições, ente elas a Faculdade Zumbi dos Palmares, sobre a questão da violência.

Dos casos no Vale do Paraíba, de janeiro a junho, 15 são investigados por meio de inquéritos policiais, quatro foram relatados à Justiça e um arquivado pelo Poder Judiciário. A PM também apura todos os casos por meio de IPM (Inquérito Policial Militar), com acompanhamento do Ministério Público.

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