Mortes em confronto com a polcia batem recorde no Vale, com alta de 62% entre os jovens

Dados oficiais da SSP (Secretaria de Estado da Segurana Pblica) mostram aumento no nmero de mortes em decorrncia de troca de tiros com a polcia

Jovens na linha de tiro.

A morte de jovens de até 30 anos em decorrência de intervenção policial na RMVale, de janeiro a julho de 2020, aumentou 62,5% na comparação com igual período de 2019, segundo dados oficiais da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) compilados por OVALE.

A polícia estadual matou 13 pessoas nessa faixa etária contra oito, no ano passado.

Das 13 mortes deste ano, 12 ocorreram durante período de serviço de policiais militares e uma durante o serviço de um policial civil.

No ano passado, todas as mortes de pessoas até 30 anos ocorreram em confronto com policiais militares, sendo uma delas durante o período de folga do agente público.

No geral, de acordo com dados da Transparência SSP, portal que disponibiliza os boletins de ocorrência das mortes em confronto com a polícia, a região registrou 29 vítimas em decorrência de intervenção policial neste ano, de janeiro a julho, contra 17 no ano passado, em igual intervalo. O aumento foi de 70,5%.

PARDOS E PRETOS.

Na faixa etária até 30 anos, a maior parte das vítimas em confronto com a polícia é composta por homens identificados como pardos ou pretos e com baixa escolaridade.

Das 13 vítimas em 2020, sete (54%) foram registradas como pardas ou pretas e seis (46%) como brancas. No ano passado, a relação entre as etnias ficou equilibrada com quatro mortes cada uma.

Além disso, a morte de jovens pardos e pretos em confronto com a polícia cresceu 75% entre os dois anos, de quatro para sete óbitos, e a de brancos aumentou 50%, de quatro para seis.

No total, quase 70% das mortes em confronto ocorreram em vias públicas, com 20% em residências e 10% em comércios e serviços.

A escolaridade do grupo de jovens pardos e pretos mortos em confronto com a polícia também é mais baixa, com apenas uma vítima tendo conseguido passar do ensino fundamental, mas ainda assim sem concluir o ensino médio.

Uma das vítimas registrada como branca tinha o segundo grau completo, a única entre os jovens mortos em confronto com a polícia. A maior parte das mortes é de pessoas com instrução abaixo do nível básico completo.

Na maior parte dos registros (72%), no entanto, não há menção à escolaridade da vítima.

A cientista Social e Política Dora Soares aponta a educação como fator fundamental para tirar os jovens da mira da violência.

“O Brasil é extremamente desigual e as polícias tendem a ser mais violentas com jovens pobres e negros. Essa violência acaba sendo aceita com naturalidade. Precisamos investir nos valores estruturantes da sociedade, como a educação e a cultura”.

Opinião semelhante tem José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel aposentado da Polícia Militar: “O Estado tem que ocupar as periferias, levando opções para os jovens. Se não for assim, o crime pode recrutá-los”.

RECORDE.

Analisando as estatísticas trimestrais da SSP, o Vale teve os seis primeiros meses de 2020 como os mais violentos da série histórica da pasta para o total de mortes em confronto com a polícia. A série com dados regionais começa em 2005.

De acordo com as estatísticas oficiais do Estado, 25 pessoas morreram em decorrência de intervenção policial neste ano contra 16, no ano passado, também de janeiro a junho. O aumento foi de 56%.

O primeiro semestre de 2020 supera até mesmo os seis meses de 2006, até então os mais violentos da série histórica da SSP, com 19 mortes em confronto com a polícia.

A diferença é que 2006 ficou marcado como o ano dos atentados da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) contra forças de segurança pública, sendo considerado um ano atípico nos registros estatísticos.

Doria ameniza discurso de campanha e prega tolerância zero com desvios da PM

Durante a campanha ao governo de São Paulo, em 2018, o então candidato João Doria (PSDB) causou polêmica ao dizer que "se bandido reagir, vai para o cemitério". Na época, ele foi criticado por se alinhar a Jair Bolsonaro, que concorria à presidência e pregava o conceito de 'bandido bom é bandido morto'.

Após um ano e nove meses de mandato, Doria tem dito que o governo não compactua com desvios de conduta dos policiais. Dados da SSP mostram que 510 policiais foram presos, demitidos ou expulsos em 2019.

"O governo não aceita ilegalidades. Policial que age fora das regras e da lei vai ser punido", disse o general João Camilo Pires de Campos, secretário estadual da Segurança Pública..

Íntegra da nota oficial da SSP

A SSP, desde o início dessa gestão, tem trabalhado para reduzir os casos de morte decorrente de intervenção policial. Tanto que julho foi o segundo mês consecutivo de queda nos casos de morte decorrente de intervenção policial militar em serviço, com redução de 25% em relação a igual mês do ano passado.

As técnicas, protocolos e procedimentos de atuação da PM são estudados e aprimorados de acordo com os indicadores criminais e inovações inseridas na área de segurança pública em todo o mundo, como as câmeras corporais utilizadas pelos policiais de São Paulo desde o início de agosto. Além de reforçar as atividades de treinamento técnico-operacional, incluindo temas como Polícia Comunitária, Direitos Humanos e Cidadania, a PM trabalha na atualização de seus protocolos de abordagem e participa de um grupo de trabalho acadêmico com outras oito instituições, ente elas a Faculdade Zumbi dos Palmares, sobre a questão da violência.

Dos casos no Vale do Paraíba, de janeiro a junho, 15 são investigados por meio de inquéritos policiais, quatro foram relatados à Justiça e um arquivado pelo Poder Judiciário. A PM também apura todos os casos por meio de IPM (Inquérito Policial Militar), com acompanhamento do Ministério Público.

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