Especial

Pandemia avança para o Vale da Fé, capital católica do país e que reúne cidades mais frágeis da região

Maior crise sanitária em 100 anos avança pela capital da fé, região com mais municípios médios e pequenos e com infraestrutura mais frágil de atendimento à saúde na RMVale

Xandu AlvesPublicado em 15/08/2020 às 01:29Atualizado há 24/07/2021 às 15:33
Devoto com máscara no Santuário Nacional de Aparecida (Gustavo Cabral / A12)

Devoto com máscara no Santuário Nacional de Aparecida (Gustavo Cabral / A12)

A pandemia e a fé.

Maior crise sanitária e de saúde em 100 anos, a epidemia do novo coronavírus avança ferozmente para o Vale da Fé, região símbolo e capital da fé católica no Brasil.

Também é área com mais municípios médios e pequenos e com infraestrutura mais frágil de atendimento à saúde.

Maior parte das cidades não conta com leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), indispensáveis para cuidar de pacientes graves por Covid-19.

“A gente sabe que o Vale Histórico tem um aumento no número de casos diferente aqui do Alto Paraíba e também do Litoral Norte. A região de Taubaté também tem condição melhor que o Vale da Fé. Vamos acompanhando esses dados”, disse Marco Vinholi, secretário estadual de Desenvolvimento Regional.

“Há cidades sem nenhum caso e que passaram a ter vários”, afirmou Victor de Cassio Miranda (PSDB), o ‘Vitão’, presidente da RMVale e prefeito de Paraibuna.

Mesmo contando com abundância de fé, principalmente a popular, prefeitos do Vale Histórico sabem que apenas crença não basta para enfrentar o coronavírus. Também é preciso crer na ciência.

Os pequenos municípios estão tomando medidas impopulares, mas necessárias, de manter mais restrições do que as permitidas pelo governo estadual, no Plano São Paulo.

“Não é hora de relaxar, e sim de continuarmos nos prevenindo, nos cuidando e nos mantendo atentos”, diz postagem da Prefeitura de São José do Barreiro nas redes sociais.

De um único caso confirmado há duas semanas, a cidade de pouco mais de 4.000 habitantes viu o número de contaminados subir para cinco e depois para 11, maior aumento percentual da região (120%) em sete dias.

Na vizinha Bananal, os 10,8 mil moradores viram a doença passar de 72 para 133 infectados em duas semanas, impactando fortemente a rede de saúde, que depende de cidades de referência para o atendimento.

Com isso, o prefeito Carlindo Nogueira Rodrigues (PDT) estendeu até 16 de agosto o decreto que recua a cidade para a fase vermelha do Plano São Paulo, barrando comércios não essenciais, mesmo com a região na fase amarela. A restrição começou em 4 de agosto.

Os 13 mil habitantes de Queluz estão sem atividades de setores não essenciais da economia para tentar conter o avanço da doença. A cidade também recuou para a fase vermelha depois que os casos subiram de 141 para 182 em 14 dias.

Além das cidades do Vale Histórico, outras abriram mão da reabertura permitida pelo Plano São Paulo e seguem na fase laranja, casos de Lorena, Guaratinguetá e Piquete, também por conta do aumento do número de casos e de nortes.

A preocupação faz sentido.

Nas últimas seis semanas, as sub-regiões de Taubaté, Guaratinguetá e Cruzeiro lideram o crescimento de casos confirmados e de mortes por Covid-19 na região (leia texto nesta página). Não à toa, as regiões concentram a quase totalidade dos pequenos e médios municípios do Vale, incluindo as do Vale da Fé..

Sub-regiões com os menores municípios lideram alta de casos e mortes no Vale

As sub-regiões de Taubaté e Guaratinguetá registram os maiores aumentos percentuais de casos confirmados de Covid-19 da RMVale, na última semana. Na sub-região de Taubaté (10 cidades), os casos passaram de 4.101 para 5.046 entre 6 e 13 de agosto ( 23%). Com nove cidades, a sub-região de Guaratinguetá relata crescimento de 21,7% (de 1.893 para 2.305. A sub-região de Cruzeiro (oito cidades) teve alta de 28%: 18 para 23 óbitos.

Nas últimas seis semanas, as sub-regiões de Taubaté e Cruzeiro lideram a alta percentual de casos positivos e a de Guaratinguetá, o de mortes.

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