Antes de vencer a primeira, Estado já admite enfrentar segunda onda de contágio da Covid-19

Antes mesmo do fim da primeira, o governo estadual já admite uma segunda onda de contágio de Covid-19 e prevê que o número de mortes pela doença fique entre 15 mil e 18 mil até o final de junho, com os casos confirmados entre 235 mil e 290 mil.

Nesta sexta-feira (19), o estado registrava 211,6 mil pessoas infectadas e 12,2 mil óbitos por Covid-19. Respondendo a pergunta de OVALE em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na capital, o coordenador do Comitê da Saúde, o médico Carlos Carvalho, disse que o crescimento da doença é monitorado e que alterações no plano de reabertura da economia podem ser tomadas.

“Existe a possibilidade de um segundo pico, é real. Do mesmo jeito que a abertura em outras cidades do mundo foi monitorada, quando essa tendência existe pode-se dar um passo atrás”, afirmou.

Carvalho disse que os modelos matemáticos para a projeção de casos e mortes por Covid-19 no estado são ajustados “proporcionalmente à realidade” e que eles mostram uma diminuição da velocidade de contágio. “O que temos que ver é a realidade desses números ao longo do tempo, e não aponta para um número tão crescente assim”, disse o médico.

O risco também existe no país. Estados que estão numa curva estabilizada da doença, como no Amazonas, depois de um surto devastador, podem enfrentar uma segunda onda de casos, como ocorre na China e na Nova Zelândia após a reabertura econômica.

MAIS MORTES.

Estudo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostra que o relaxamento da quarentena pode causar aumento de 71% de mortes em São Paulo, com a adição de 10 mil óbitos até a primeira semana de julho.

Carvalho disse que os dados não apontam para uma tendência de elevação para chegar nesse nível (do estudo da USP), mas que o governo pode rever a flexibilização. “Estamos de olho diariamente para observar alguma mudança disso”.

PICO.

Especialistas têm apontado para a chance de o pico de casos de Covid-19 ocorrer nas próximas semanas no estado de São Paulo e até o final de julho, em paralelo à tendência de flexibilização da quarentena, o que vem sendo criticado e que pode piorar ainda mais a situação nas cidades.

No Vale do Paraíba, observa-se recordes diários de novos casos nas principais cidades, além de aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), indispensáveis para tratar pacientes graves da doença.

Em São José dos Campos, por exemplo, a taxa passou de 70% nesta semana e ascendeu a luz amarela na prefeitura, que anunciou um Hospital de Retaguarda e ampliação de leitos no municípios.

QUARENTENA.

Também respondendo a OVALE, o governador João Doria (PSDB) pediu adesão da população à quarentena, que segue em vigor até o final de junho. “Cabe muito nesse processo de quarentena que as pessoas tenham consciência individual. Não é razoável que as pessoas se esqueçam de proteger a própria vida”, afirmou o tucano.

E acrescentou: “Primeiro ficando em casa sempre que possível e, segundo, usando máscara corretamente ao sair, álcool em gel, lavando as mãos sempre que possível e mantendo o distanciamento social”.

Por fim, Doria fez um apelo à consciência das pessoas que estão se aglomerando no Vale do Paraíba. “Cada pessoa tem que ter a consciência da importância da sua própria vida e da vida dos familiares e amigos. Se não houver cidadania será mais difícil o combate ao coronavírus”, afirmou o tucano.

Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, o Plano São Paulo dá autonomia aos municípios para flexibilizarem ou endurecerem as regras de reabertura, que precisa vir “compartilhada da responsabilidade sobre os indicadores da cidade”.

“O exemplo é a cidade de Valinhos, que endureceu as regras antes que o Estado sinalizasse. A região de Campinas está crescendo e alguns municípios irão para a fase vermelha”, disse Vinholi. “O Vale também é monitorado e alterações poderão ser feitas na flexibilização”.

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