Crise na saúde mental pode ser 'terceira onda' da pandemia, alertam médicos

Os números impressionam: 8,5 milhões de pessoas se infectaram com o novo coronavírus pelo mundo. Quase 500 mil pessoas morreram em decorrência da doença.

No Brasil, a Covid-19 venceu a barreira de 1 milhão de infectados e estava perto das 50 mil mortes até 19 de junho. Vê-se que a doença ainda está em ritmo acelerado em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, e em fases mais brandas em outros países. Espera-se uma segunda onda de contágio em vários deles, como se vê na China, na Nova Zelândia e em estados americanos.

Contudo, além da periculosidade do novo vírus, uma constatação já foi feita pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A pandemia da Covid-19 também tem provocado outro efeito devastador: uma crise de saúde mental em todo o planeta. “O impacto da pandemia na saúde mental das pessoas já é extremamente preocupante”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.

Em 14 de junho, a ONU (Organização das Nações Unidas) lançou um relatório que defende justamente o investimento urgente em serviços de saúde mental. Para a entidade, eles devem ser considerados essenciais, inclusive para acesso remoto.

No Brasil, os primeiros estudos sobre o impacto já mostram o crescimento de novos casos, além da piora de pacientes que já tinham algum diagnóstico. 

Esse é o caso de Augusto (nome fictício), comerciante em Guaratinguetá que faz tratamento com psiquiatra para estabilizar o humor e, após perder o emprego, entrou num surto de ansiedade que piorou o quadro de bipolaridade. “Precisei reforçar os remédios que já tomo diariamente e fazer sessões adicionais com o psicólogo. Não é fácil”, afirmou.

No início de junho, uma pesquisa com psiquiatras brasileiros mostrou que 47,9% dos profissionais tiveram aumento no número de consultas, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria. Além disso, 89,2% dos psiquiatras identificaram que seus pacientes tiveram sintomas agravados no período de quarentena. Quanto aos novos casos, quase 70% dos profissionais afirmaram ter recebido novos pacientes após o início da pandemia, todos nunca tinham tido sintomas psiquiátricos antes.

QUARTA ONDA.

“A questão da saúde mental tem sido chamada de quarta onda. Num gráfico a gente pode ver a onda vermelha, com a pandemia de casos Covid-19, a laranja, uma segunda onda com impacto de recrudescimento dos casos, uma terceira onda que é a implicação da interrupção do cuidado para condições crônicas, e a linha crescente que é chamada de quarta onda, que é o impacto da pandemia na saúde mental, tanto de profissionais da saúde quanto da população”, afirmou o médico Paulo Menezes.

Coordenador do Controle de Doenças do estado e membro do Comitê da Saúde, Menezes afirmou em apresentação no Palácio dos Bandeirantes, na capital, que o impacto da crise do coronavírus na população e, principalmente, em profissionais da saúde, pode ser considerado a quarta onda da pandemia de coronavírus.

Ele disse que o impacto na saúde mental se deve a vários fatores, entre eles: distanciamento social, receio de contrair a doença, experiência de doença grave ou o luto, entre outros.

Segundo Menezes, o Estado está atendo à situação e já toma medidas. “Estamos trabalhando com cooperação na qualificação multiprofissional, através de ações para os profissionais dos CAPS, por exemplo”.

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