Especial

Jornalista de Jacareí cria projeto com histórias de superação e lembranças sobre o isolamento

Publicado em 20/05/2020 às 00:00Atualizado há 24/07/2021 às 20:24
janela (Divulgação)

janela (Divulgação)

A ideia veio após um pesadelo. Acordado, Eduardo Carvalho, 33 anos, anotou: “Grave um áudio sobre o objeto que te marcou ao longo dessa pandemia”.

“Isso se aperfeiçoou e pedi a amigos me mandarem imagens e áudios. Faz pouco mais de uma semana e o projeto já recebeu mais de 2.000 visitas no Instagram”, conta o jornalista de Jacareí, que vive no Rio de Janeiro desde 2015.

Atual editor artístico do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, ele criou o projeto ‘Janelas da Pandemia’ quase como uma possibilidade de terapia na quarentena.

Ele incentiva pessoas a refletirem sobre o que será do futuro. Colhe depoimentos sobre coisas e pessoas que têm amenizado o isolamento. Além disso, o projeto quer ser uma espécie de museu vivo, que vai mostrar, segundo Carvalho, “como fomos humanos durante essa pandemia”.

“As pessoas colocam para fora, outras escutam. Entendem que, em algum momento, vai passar. A intenção é que saíamos melhores e não voltemos ao que era antes, mas ainda não sei como será isso.”

Ele publicou mais de 18 histórias na página do projeto e já recebeu depoimentos de São José dos Campos e Jacareí, além de várias cidades do Brasil e do mundo, como Cardiff, Brighton e Londres.

PESSOAS.

Uma das primeiras participantes do projeto, Érika escreveu que vê o céu todo dia com o filho pela janela, e inspirou o nome da página.

Soraia comoveu ao falar sobre as dificuldades de se manter lúcida num relacionamento sem sair de casa.

Líder de uma comunidade de famílias extrativistas da Amazônia, no Pará, dona Ana foi um dos relatos mais especiais.

“Mãe e avó, ela mostrou que continua firme e forte na batalha de salvar vidas e o meio ambiente enquanto tiver forças”, conta Carvalho.

Para ele, o projeto tem funcionado como uma sessão de terapia em grupo. “É gente que aborda o relacionamento, fala sobre coisas simples ou de lembranças de quem já se foi. Quem assiste ou participa percebe que não está sozinho.”

Carvalho espera que o ‘Janelas da Pandemia’ faça as pessoas refletirem sobre o que é importante na vida delas e o que as mantêm lúcidas e esperançosas. Além disso, ele quer guardar os depoimentos e imagens para um projeto futuro.

“Daqui um ano, quando a gente vir esses vídeos e ouvir as nossas próprias vozes, que percebamos que esse momento extremamente difícil no mundo foi de parar e reajustar o foco em relação ao que é prioridade. A lidar com frustrações e amadurecimento”.

Janelas servem a protestos políticos: 'É desejo de mudança', diz jornalista

Nem só objetos e pessoas são lembrados nas janelas do Rio de Janeiro, segundo o jornalista Eduardo Carvalho, de Jacareí. A política também mostra as caras. Olhando a bela paisagem do Rio pela janela, Carvalho ouve os gritos de 'Fora Bolsonaro' pontualmente às 20h30, além de 'panelaços' contra o presidente. "Não consigo sentir a polarização das ruas, porque não tenho saído de casa. Mas, pelos gritos, é grande o desejo de mudança. Era uma tragédia anunciada, mas ninguém aguenta mais", disse.

coronavirus covid-19 do not cross yellow tape background (Divulgação)
carteira de trabalho (Divulgação)
museu do amanhã (Divulgação)
Janelas da Pandemia (Hugh Hill)
Janelas da Pandemia (Divulgação)
Janelas da Pandemia (Divulgação)
Barreira sanitária em São Sebastião (PMSS)
O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (Divulgação)
Daniela Garcia (Divulgação)
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