Especial

Às vésperas da flexibilização, Estado diz que situação está sob controle e que Vale será monitorado

Xandu AlvesPublicado em 20/05/2020 às 00:00Atualizado há 24/07/2021 às 20:23
Pandemia em São José (Sergio Nascimento)

Pandemia em São José (Sergio Nascimento)

A sorte está lançada.

O programa de flexibilização da quarentena lançado pelo governo estadual conta com um componente imprevisível: a aderência da população do Vale do Paraíba aos cuidados sanitários.

Após a abertura de comércios e shoppings, a partir de 1º de junho, essa adesão será fundamental para não explodir o número de casos de Covid-19 e colapsar o sistema de saúde da região, como ocorreu em Manaus e Belém.

Nas últimas três semanas, a taxa de isolamento caiu exponencialmente no Vale e em boa parte do estado, revelando o descompasso entre o “fique em casa” do governo estadual e a vontade da população.

O discurso do governador João Doria (PSDB) exigindo isolamento mínimo de 55% nas cidades deu lugar a um tom mais ameno na última semana. O governo também parou de usar como critério para a reabertura a queda sustentada de casos durante 14 dias.

O médico Dimas Covas, diretor do Butantan e coordenador do Comitê de Contingência do Coronavírus, chegou a declarar: “Estamos perdendo a batalha para a epidemia”.

Mesmo diante desse quadro, Doria anunciou a reabertura de atividades no estado e no Vale, região classificada na fase dois (‘controle’, de cor laranja) do Plano São Paulo. Cinco atividades serão retomadas em junho: imobiliárias, concessionárias, escritórios, comércio e shopping centers.

Na sexta-feira (29), Dimas Covas explicou a mudança de postura do governo e a retomada de atividades com a curva de casos na ascendente. “Quem está perdendo a guerra [para a epidemia] é o mundo. É a batalha mais feroz que vivenciamos nesse século. Precisamos é nos preparar. O exército é muito poderoso e chega cada dia mais próximo. E precisamos ter as nossas armas prontas”, disse.

Segundo o médico, o Estado “avançou bastante” no combate ao coronavírus --65 mil vidas salvas desde início do isolamento-- e criou sistema inteligente que mostrará “onde as batalhas serão mais duras”.

“O sistema de controle é sintonia fina e entende as velocidades da epidemia no estado. É um instrumento que detalha as ações, mostra o risco e permite aos prefeitos que entendam a situação epidemiológica na região e o que está acontecendo com a epidemia”, afirmou Covas, dizendo que é preciso “chamar a população para participar da batalha”.

Segundo ele, o modelo de reabertura é “validado” pelo Comitê e “vai funcionar se todos entenderem”.

CONTROLE.

Em resposta a pergunta de OVALE durante entrevista coletiva na sexta (29), o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, disse que o Vale é uma situação de controle.

“No fundo, todos esses novos casos no Vale, seja de notificação, internação ou óbito, estão no painel de controle do governo. Sabemos, sim, do aumento do número de casos no Vale, mas também da diminuição de óbitos e a internação se mantendo constante”.

E completou: “Portanto, a situação do Vale do Paraíba é uma situação de controle, e por isso foi classificado como uma zona laranja, na qual os prefeitos farão uma abertura consciente, observando todos os indicadores”.

Segundo ele, “é difícil dizer se o pior já passou”. “Importante é que estamos preparados e com sistema de controle que vai nos avisar com certa antecedência qualquer tipo de evolução da epidemia”.

A secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, explicou que a retomada será controlada e com revisões. “Se os indicadores piorarem, a região muda de fase imediatamente. A cada semana teremos essa revisão. Além do aumento de casos e óbitos, estamos olhando a capacidade do sistema de saúde”.

Hospital de campanha (Ingrid Anne/Divulgação)
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