Coordenador do controle estadual de doenas pede mais isolamento no Vale e analisa crescimento do vrus

Paulo Rossi Menezes coordenador do CCD (Coordenadoria de Controle de Doenas) e membro do Comit de Contingncia do Coronavrus

Xandu [email protected] | @jornalovale

Paulo Rossi Menezes é um dos membros do Comitê de Contingência do Coronavírus de São Paulo e tem, ao lado de outros 15 cientistas, o papel de definir as ações do governo estadual no combate à Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

A prorrogação da quarentena até 31 de maio, por exemplo, só foi anunciada pelo governador João Doria (PSDB) após o aval dos especialistas.

Coordenador do CCD (Coordenadoria de Controle de Doenças), órgão da Secretaria de Estado da Saúde, Menezes explica que a queda da taxa de isolamento e o aumento exponencial dos casos no interior do estado preocupam o Comitê de Saúde.

"O que observamos hoje, infelizmente, é que a maior parte dos municípios ainda não conseguindo atingir a meta de 55% de redução do contato social", diz ele em entrevista exclusiva ao 'Gabinete de Crise', quadro especial criado por OVALE.

Menezes fala sobre a evolução dos casos no interior, a importância em aumentar a taxa de isolamento e a possibilidade de enviar pacientes da Grande São Paulo para o Vale do Paraíba, numa eventual falta de leitos na capital.

As principais cidades do Vale não têm conseguido chegar à taxa mínima de isolamento de 55%. Qual a importância dessas cidades aumentarem a taxa?

O isolamento social de pelo menos 55% é fundamental para que possamos controlar o avanço da epidemia. O que faz o vírus transferir de uma pessoa para outra é a possibilidade de contato entre as pessoas, e o isolamento social é que produz essa redução do contato entre as pessoas. As pessoas ficando em casa é que seremos mais bem sucedidos no controle da pandemia. O que observamos hoje, infelizmente, é que a maior parte dos municípios ainda não tem conseguindo atingir a meta de 55% de redução do contato social.

São José tem média de 20 novos casos de Covid-19 por dia. Outros municípios da região também têm tido crescimento significativo de casos nos últimos dias.

Isso significa que a doença está chegando cada vez com mais força no Vale?

Nas últimas duas semanas, o que observamos é um avanço do número de casos em todo o estado de São Paulo. Ainda é muito alto na capital e na Grande São Paulo, mas a velocidade de crescimento dos casos é maior no interior do que na Grande São Paulo.

O vírus já está praticamente por toda parte e temos 2/3 dos municípios [do estado] com pelo menos um caso confirmado. Por isso, é importantíssimo manter o isolamento em todas as regiões do estado, incluindo o Vale do Paraíba.

Há a possibilidade do governo estadual transferir pacientes da Grande São Paulo para a RMVale?

A Secretaria de Saúde faz um monitoramento constante da taxa de ocupação de leitos destinados a Covid-19, tanto leitos de enfermaria quanto de UTI [Unidade de terapia Intensiva], em todas as regiões do estado de São Paulo. Conforme uma região possa ficar com os seus leitos pressionados, é possível solicitar leitos disponíveis em outras regiões. Isso não é específico para a área do Vale e é feito pelo sistema estadual de regulação de leitos, o Cross.

Há previsão de aumento de leitos nos hospitais regionais?

O Vale do Paraíba conta com dois regionais administrados pela Secretaria de Saúde, o de Taubaté e o de Caraguatatuba, que foi inaugurado e dedicado exclusivamente para atender pessoas com Covid-19. A ampliação dos leitos vai se dando de forma progressiva, conforme a evolução da pandemia e a necessidade de leitos, além de obedecer a disponibilidade de equipamentos e recursos humanos para fazer com que esses leitos fiquem ativos.

Qual é a mortalidade por Covid-19 no estado?

Temos 4.315 óbitos [14 de maio] para 54 mil pessoas diagnosticadas. Isso dá aproximadamente 8%. Ou seja, 8% das pessoas que foram diagnosticadas, vieram a óbito. E não foi por falta de leito de UTI, porque isso não está acontecendo no estado. Mas porque a cada dia que passa, entendemos que a doença é mais grave. O vírus é mais agressivo do que parecia no início da pandemia. Isso quer dizer que, de cada cinco pacientes que vão para a UTI, um não volta para casa.

Assinar OVALE

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi to lido. So mais de 23 milhes de acessos por ms apenas nas plataformas digitais, alm da publicao de quatro edies impressas por dia. O importante que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem lder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crtico, plural, moderno e apartidrio. Informao com credibilidade, imprescindvel para a construo de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notcia a verdade. E ns assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalstica da regio.