Governo estadual e prefeituras planejam reforçar ações de isolamento para tentar brecar casos positivos

De um lado, o direito constitucional do cidadão de deslocar-se livremente na cidade. Do outro, a necessidade de isolar as pessoas para evitar uma epidemia descontrolada do novo coronavírus. No meio, o bom senso. É com ele que prefeitos do Vale do Paraíba e o governador João Doria (PSDB) pretendem convencer a população a ficar em casa, frase que virou mantra em época de pandemia do novo coronavírus.

Doria tem usado várias vezes a frase durante as entrevistas coletivas diárias que faz no Palácio dos Bandeirantes, para anunciar ações de combate à doença. Ele também disse que a Polícia Militar poderá ser acionada, nos municípios, casos alguém descumpra a orientação de evitar aglomerações.

Prefeitos da região, como Felicio Ramuth (PSDB), de São José, apelam à consciência e afirmam que a população tem que fazer a sua parte.

Ele admite relaxamento das regras de isolamento na cidade, especialmente em bairros da periferia, e garante que a prefeitura vai apertar o cerco. "Precisamos fazer alguma coisa".

A situação no município é considerada sob controle, mas pode sair dos trilhos a qualquer momento se a contaminação acelerar, especialmente entre os mais pobres.

"O nosso decreto não impede a circulação das pessoas, mas vamos coibir aglomeração. Há vários serviços funcionando, o que mantém a cidade ativa, mas é na aglomeração que facilita a propagação e contaminação, e isso aumenta a necessidade de internação", lembrou o secretário de Saúde, Danilo Stanzani.

Ele disse que São José usa todas as 'armas' disponíveis para alertar a população dos riscos da doença, mas admite que será preciso reforçar o trabalho.

"Sempre reforçamos o isolamento [para a população] com todos os serviços da prefeitura. A informação vem sendo passada a todo o momento. Vemos muitas aglomerações nas periferias, mas não só, e vamos ter que reforçar bastante para a população entender que não estamos brincando e que a situação é grave. População tem que entender essa realidade."

TESTES.

As iniciativas, no entanto, esbarram na falta de informações completas sobre a real situação da epidemia no estado. Há quem acredite em subnotificação dos casos, em razão da quantidade de exames represados aguardando resultado --17 mil no estado, além de 1.300 que entram por dia.

Muitos serão confirmados, aumentando os infectados nas cidades. Testar muitas pessoas e conhecer o número real de casos são premissas para o enfrentamento eficiente da doença, como atestaram China e Coreia do Sul.

O governo estadual comprou 1,3 milhão de testes da Coreia, que devem começar a chegar durante esta semana.

A produção do Estado é de 1.900 testes por dia, e deve saltar para 5.000 e depois 8.000 por dia no final de abril.

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