Combate ao coronavírus exige união de esforços e põe por terra dicotomia entre saúde ou economia

O distanciamento social é a medida mais eficaz para achatar a curva de crescimento da contaminação pelo novo coronavírus, fazendo com que o número de doentes cresça em menor velocidade e maior tempo, sem colapsar o sistema de saúde.

"As restrições recomendadas e determinadas pelo Estado estão em linha com a literatura científica e as demais histórias de epidemia que se conhecem. É preciso evitar as aglomerações promovendo o distanciamento social. Os dados mostram que estamos no caminho certo", diz José Henrique Germann, secretário de Estado da Saúde.

Nesse contexto, quando a situação pede união de esforços, o Brasil flerta perigosamente com a estratégia de dividir.

Paira no país a falsa dicotomia entre crise de saúde e crise econômica, como se fosse possível escolher entre uma e outra. Não é.

"Teremos efeitos na economia. Todos os países estão passando por isso. O impacto será sentido em virtude da queda de vendas e, por consequência, na queda de produção. Mas primeiro tem que preservar a vida", disse Henrique Meirelles, secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo.

Segundo ele, a crise econômica virá e o país deve se preparar para minimizá-la, tomando medidas de amparo aos mais vulneráveis, como desempregados e trabalhadores informais, e de apoio a micros, pequenos e médios empresários, que empregam a maior parte da força de trabalho do país.

Em paralelo, é preciso travar a luta no campo da saúde pública, esta de maior urgência dado o crescimento da pandemia. O Brasil deve escolher em ter crise econômica (em maior ou menor grau) associada ao colapso na saúde e milhares de mortes. Ou se vai enfrentar a recessão com o sistema de saúde suportando os casos de coronavírus e menos mortes.

ITÁLIA.

No mundo, a Itália é o 'case' de erro estratégico no combate ao vírus. O país tem o maior número de mortes (quase 20 mil) e o terceiro de doentes (143 mil). O país reagiu com o mesmo discurso do presidente Jair Bolsonaro, de que o país não pode parar.

Bolsonaro já minimizou a doença ('gripezinha'), antagonizou com governadores que decretaram quarentena, principalmente com o de São Paulo, e lançou campanha de R$ 4,8 milhões com o mote: "O Brasil não pode parar".

Na Itália, o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, admitiu que errou ao apoiar a iniciativa "Milão não para". A região da Lombardia, onde fica a cidade, tinha 250 doentes, hoje são mais de 35 mil e 5 mil mortes.

Num programa de televisão, Sala disse: "Em 27 de fevereiro, o vídeo #Milãonãopara estava explodindo nas redes, e todos o divulgaram, inclusive eu. Provavelmente errado".

No Brasil, a postura de Bolsonaro, que contraria orientações do Ministério da Saúde, revoltou governadores.

Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, pediu que o presidente se retratasse.

Em São Paulo, João Doria disse que o presidente será culpado pelas mortes que ocorrerem: "Não é racional fazer política com a vida das pessoas. Quem será o fiador das mortes no país?".n

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