Logo Jornal OVALE

Dados oficiais revelam 'raio-x' de mortes em confronto com a polícia

Os homens jovens, pardos e com baixa escolaridade foram os maiores alvos de morte decorrente de intervenção policial na RMVale, no primeiro trimestre, segundo dados da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública).

Das 14 vítimas computadas em boletins de ocorrências no porta da transparência da pasta, mais da metade é de pessoas registradas como pardas. Foram oito vítimas (57%) desse grupo racial. Os brancos aparecem em seis casos, 43% da totalidade.

A escolaridade desse grupo também é baixa, com apenas uma vítima tendo conseguido passar do ensino fundamental, mas ainda assim sem concluir o ensino médio. A maior parte das mortes é de pessoas com instrução abaixo do nível básico completo.

O período noturno acumula mais mortes entre as vítimas de homicídio em geral, com 36 casos (31%). Depois aparecem a tarde (26 mortes e 23%) e a madrugada e a manhã, empatadas com 24 ocorrências cada, 21%. Quanto ao dia da semana, os dados mostram empate técnico entre a quarta-feira (22 mortes e 19%), domingo (21 e 18%), segunda (21 e 18%) e sábado (20 e 17%).

A cientista Social e Política Dora Soares vê a educação como fator fundamental para tirar os jovens da mira da violência. “O Brasil é extremamente desigual. Precisamos investir em valores estruturantes, como na educação”.

LATROCÍNIOS.

Das seis vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte) no Vale em três meses, vê-se maioria de homens brancos, acima de 60 anos, solteiros e com profissões de baixa qualificação. Ao contrário dos homicídios, os latrocínios ocorreram mais durante a madrugada, com 50% dos casos.

Comandante da PM aposta em prevenção e integração para combater os homicídios

O Vale do Paraíba lidera em quantidade de pessoas mortas em homicídios e latrocínios no interior do estado, tendo sido a primeira região a ultrapassar 100 vítimas entre janeiro e abril deste ano. A região acumula 113 vítimas de homicídio e seis, em latrocínios. Mesmo assim, o comandante da Polícia Militar no Vale do Paraíba, coronel José Eduardo Stanelis, vê possibilidade de a região reduzir as mortes nos próximos meses.

"De janeiro a abril já capturamos 588 procurados pela Justiça. Temos também as operações integradas, acredito que essa tendência de homicídios deve se reverter", afirmou. "Os homicídios são uma questão social, a maioria são sofridos e praticados por pessoas que já têm passagens pela polícia, principalmente por tráfico e roubo".

LEIA MAIS: Autópsia dos homicídios na RMVale, a capital do crime em São Paulo
LEIA MAIS: Jovem e sem estudo: perfil do maior alvo da violência no Vale