Ouviram o 'Ipiranga'?

Declaraes absurdas em srie deixam claro que, sem rumo e sem projetos, Paulo Guedes se rendeu a Bolsonaro

Na eleição de 2018, o nome dele era um claro aceno para o mercado. E deu certo. Como a inabilidade geral de Jair Bolsonaro também se estendia pela área econômica, o então candidato à Presidência da República repetia um mantra quando era questionado sobre temas do setor: "pergunta para o meu Posto Ipiranga, o Paulo Guedes".

O Posto Ipiranga também funcionou para os eleitores que, na tentativa de justificar a conhecida incompetência de Bolsonaro, diziam que o futuro presidente teria a seu lado um economista competente, capaz de colocar em prática uma agenda liberal, com privatizações em série, para tirar de vez o Brasil da crise financeira.

Nos primeiros 15 meses de governo, Guedes não fez nada do que havia prometido. Até porque já havia ficado claro, até li, que a figura de liberal tinha sido apenas uma aposta de Bolsonaro para vencer a eleição. De liberal, esse governo não tinha nada.

Em março de 2020, o cenário piorou. Se em tempos normais o ministro não era capaz de nos tirar da crise, o que ele poderá fazer para fortalecer a economia do país durante uma pandemia? E com mais um agravante: com o presidente cada vez mais em simbiose com o Centrão, as negociatas se proliferaram pelo Planalto, que precisa abrir os cofres para agradar a base de apoio.

Num beco sem saída, no qual se afundou após a trapalhada na elaboração do Orçamento de 2021, Guedes parece ter perdido de vez a linha. Em vez de ser a voz que ainda dava esperança ao mercado, o ministro passou a ecoar pensamentos que, de tão absurdos, poderiam ter sido ditos pelo presidente.

Primeiro, Guedes disse que a China, que é a maior parceira comercial do Brasil, "inventou o vírus" e tem uma vacina "menos efetiva". Depois, criticou o aumento da expectativa de vida, que segundo ele seria insustentável para os cofres públicos. "Todo mundo quer viver 100 anos", reclamou. Por fim, criticou o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) por bancar universidade até para "filho de porteiro que zerou o vestibular".

A falta de resultado e essa série de declarações deixam claro que Paulo Guedes não é um oásis no deserto que é esse governo. Ele faz parte do deserto. E, em meio a tanta aridez, não existe nenhum Posto Ipiranga que ajude o país a reencontrar o caminho..

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