Existe racismo no pas

Declarao negacionista do vice-presidente brasileiro d a triste medida do longo caminho na luta contra o racismo

Dia 20 de novembro. Dia da Consciência Negra. Dia da morte de Zumbi dos Palmares, ocorrida em 1695, um dos principais líderes negros do Brasil colônia, que lutou pela libertação de seu povo das garras da escravidão, no Quilombo dos Palmares. Dia também em que o Brasil real assistiu chocado as cenas registradas na noite anterior no estacionamento de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre (RS), onde João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, foi brutalmente assassinado por dois seguranças. As imagens, fortíssimas, percorreram o mundo. Dia 20 de novembro. Dia em que, no Brasil irreal existente no ideário de um desgoverno absoluto, descobriu-se que não existe racismo no Brasil, país que por mais de 300 anos (de 1550 até 1888) explorou mão de obra escrava. Pelo menos foi o que afirmou o general Hamilton Mourão (PRTB), vice-presidente da República.

"Não. Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil, não existe aqui", declarou Mourão, que depois usou termos como "gente de cor". Vale recordar que o vice já havia usado, em 2018, a triste expressão "branqueamento da raça" ao dizer que seu neto era bonito.

E o governo Bolsonaro? Como reagiu? Com o silêncio conivente -- mas não surpreendente. "Fui num quilombola [sic] em Eldorado Paulista. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Acho que nem para procriadores servem mais", disse o presidente em 2017.

O que esperar de um governo negacionista que coloca Sérgio Camargo como o presidente da Fundação Palmares. "A escravidão no Brasil foi benéfica para os descendentes", afirmou ele.

Dia 20 de novembro. Um dia que se repete há séculos. O Brasil, infelizmente, não só tem racismo como tem um desgoverno conivente com ele.

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