A corrente se quebrou?

A última semana, que começou promissora no enfrentamento ao novo coronavírus no país, terminou com notícias preocupantes no Brasil e também na região.

Até quarta-feira, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) colocou uma coleira no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao legitimar as medidas adotadas por governadores e prefeitos, tudo parecia bem. Era uma vitória da ciência contra o negacionismo. A maré começou a mudar na quinta-feira, com a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde.

Além disso, prefeitos país afora passaram a usar a decisão do STF para ignorar decretos estaduais de quarentena e reabrirem os comércios.

Em ano de eleições municipais, era mesmo de se esperar que os prefeitos fossem os primeiros a cederem às pressões locais, ignorando as recomendações das autoridades mundiais de saúde apenas para agradar seu eleitorado. Afinal de contas, se o vírus deixar, tem eleição em outubro.

Nessa sexta-feira, essa triste onda chegou à região. No mesmo dia em que o presidente disse "abrir comércio é risco que corro. Se piorar, vem para o meu colo", o prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB), editou um decreto que permitirá, a partir do próximo dia 27, a retomada de atividades comerciais não essenciais na cidade, ignorando a determinação do governador João Doria (PSDB), que é a de quarentena nos 645 municípios paulistas.

O momento, que exigia união de todos para ser superado, agora é marcado por desencontros. No segundo maior município da região, Taubaté, o prefeito Ortiz Junior (PSDB) informou que seguirá à risca o decreto de Doria, sem flexibilizar as regras. O mesmo deve acontecer na terceira maior cidade, Jacareí, comandada por Izaias Santana (PSDB).

Se um vírus identificado pela primeira vez na China no fim de 2019 já conseguiu, logo nos primeiros meses de 2020, se alastrar por todo o mundo, de que adiantará Taubaté e Jacareí seguirem as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde) e do governo estadual se São José as ignorar?

Com o isolamento social, o Brasil conseguiu reduzir a disseminação do vírus nas últimas semanas. O problema é que, para alguns desavisados, isso deixou a falsa impressão de que o pior já passou..

 

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