É chover no molhado

Reprovado no teste do Enem, ministro Abraham Weintraub responsabiliza política, imprensa e até alunos pelo fracasso

Em meio ao noticiário sobre os estragos provocados pelas tempestades, principalmente em São Paulo, que ganhou as manchetes em todo o Brasil, o clima insustentável e o 'imprecionante' mau tempo que assombram a educação brasileira atualmente, com direito a nuvens carregadas e estacionadas sobre o MEC (Ministério da Educação), ganharam um novo capítulo (sim, outro!) nesta novela kafkaniana -- o termo deriva do escritor Franz Kafka(1883-1924), não de kafta, uma deliciosa iguaria da gastronomia árabe. Certo, ministro?

O ministro em questão trata-se de Abraham Weintraub, já famigerado integrante do governo de Jair Bolsonaro, que é conhecido pelos tropeços gramaticais, por endossar teorias da conspiração absolutamente toscas e também, infelizmente, por tentar bancar o 'lacrador' nas redes sociais, seja espalhando boatos, tocando gaita ou 'dançando na chuva'.

Nesta terça, Weintraub foi até o Senado. O tema em discussão?

Erros na correção do Enem de 2019 levaram a questionamentos judiciais, afetaram milhares de estudantes e geraram atrasos no cronograma do Sisu.

Além de minimizar seus erros e sua atrapalhada gestão, o ministro afirmou que a culpa de toda a confusão foi de "uma linha extremamente terrorista" adotada por parcela de parlamentares, grupos econômicos e imprensa (chuva de fake news), além -- pasme -- de estudantes que foram mal, mas disseram para os pais 'eu fui mal e a culpa foi do Abraham'.

Chocante, não?

Tudo para esconder um fato de natureza inapelável. Em sua prova de fogo, Weintraub foi reprovado. Levou bomba. Foi um terror. Provou que é incapaz, com sobra, de ocupar o ministério.

Mas isso, infelizmente, é chover no molhado..

 

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